terça-feira, 9 de maio de 2017

O pequeno investidor deve bater o CDI?



Nós da blogosfera temos a cultura de compararmos a rentabilidade entre nossa carteira e o CDI, que utilizamos como um representante da renda fixa. O objetivo é medir nossa carteira geral, que seria uma aplicação que exige esforço e com uma série de riscos embutidos, contra uma aplicação atrelada ao CDI, que seria de esforço muito baixo e praticamente sem riscos.


O resultado no geral é que pouquíssimos batem o CDI.


A primeira vista parece então loucura investir em fundos imobiliários, ações e outras alternativas sendo que o CDI supostamente apresenta rentabilidade melhor e menos arriscada.


Para começar, é necessário entender que não é possível investir diretamente no CDI pois estes são certificados negociados entre bancos. O que está ao alcance de nós são produtos que utilizam uma porcentagem de referência ao CDI. Para isso, os produtos mais conhecidos são o CDB, LCI e LCA, estes dois últimos (por enquanto) livre de imposto de renda.


Em nossos comparativos de benchmark, consideramos o CDI “cheio”, ou seja, sem impostos e taxas embutidos. Logo, para alcançar essa rentabilidade necessitaríamos de um LCI ou LCA pagando 100% do CDI, ou de um CDB pagando por volta de 115% do CDI. O problema é que para alcançar tal rentabilidade você normalmente precisa satisfazer as seguintes condições: (1) ter muito dinheiro; (2) investir durante muito tempo; (3) investir em um banco de segunda linha. Por exemplo, numa pesquisa que fiz agora encontrei um CDB do Banco Indusval pagando 115,5% do CDI com aplicação mínima de R$10.000 no prazo de 900 dias.


Mesmo considerando que a rentabilidade líquida estará muito próxima dos 100% do CDI utilizado no benchmark, fica claro que há algumas inconveniências.


A primeira é o valor. Temos na blogosfera colegas que aportam todo mês uma pequena fortuna, mas o grosso dispõe de aportes na casa de R$2.000 para menos. Neste caso, o investidor necessitará guardar dinheiro por um bom tempo afim de acumular montante suficiente para atingir a cifra mínima requerida (não é raro encontrarmos alguns desses produtos com valor mínimo de R$50.000). Como o mercado de CDI e CDB muda constantemente, no final do período de acumulação ele terá que procurar um título que satisfaz suas necessidades, que provavelmente estará em outros termos (prazos diferentes, rentabilidade diferente, banco diferente).


O segundo é a questão do dinheiro preso. Ações, Tesouro Direto, fundos imobiliários e até poupança possuem liquidez diária. O Tesouro Direto com as recentes mudanças garante liquidez diária (mesmo que você tenha comprado um título com prazo até 2045, a liquidez é diária) com rentabilidade pouca coisa menor que os CDBs e LCs disponíveis no mercado. Em um LCI e CDB não há conversa. Quer alta rentabilidade? Tem que se sujeitar aos prazos longos. Está se sujeitando ao prazo longo? Não poderá resgatar. Não quer se sujeitar ao prazo longo? Temos aqui títulos de prazo curto, mas de baixa rentabilidade.


A terceira questão é como ficaria a independência financeira. Ao contrário de ações, fundos imobiliários e Tesouro Direto, esse tipo de investimento não possui proventos frequentes, o que obrigaria o investidor a resgatar o investimento para sua subsistência. Nestes casos, haveria a demanda de um altíssimo controle de prazos de forma a ter um perfeito casamento entre resgates e gastos pessoais. Creio que nesta fase seria mais adequada a migração de parte dos investimentos para outros mais líquidos ou que frequentemente "pingam" dinheiro na conta.


É garantidor em que extensão? Posso confiar minha independência financeira nisso?


Como quarta e última questão, temos o risco. Será que que o investimento em CDB, LCI e LCA são indiscutivelmente seguros? Você saberia mensurar qual seria a segurança do LCI que você está investindo? Você se garante no FGC, mas o FGC é tão garantido assim? A Vérios, uma administradora de carteira de valores mobiliários, fez uma postagem em seu blog explorando melhor o tema, com o título de Porque não incluímos LCI/LCA na carteira inteligente da Vérios? Recomendo fortemente que pause sua leitura aqui, leia todo o artigo e volte para cá.


Baseando-se no exposto até aqui, a utilização do CDI continua sendo um parâmetro interessante para ser um representante de cunho geral da renda fixa de alto rendimento. Mas podemos considerar que a comparação de nossa carteira de investimentos com 100% CDI deve ser interpretada mais como um desafio do que uma obrigação, já que para conseguir tal rentabilidade o investidor não está incorrendo no suposto esforço quase zero e risco quase zero.

E você, qual sua opinião a respeito? Deixe nos comentários.

55 comentários:

  1. Texto muito bom.
    De fato, pelas razões que bem expôs, o CDI isento de impostos não pode ser o benchmark do pequeno investidor, já que não está disponível para aplicacao na sua forma livre de risco (por livre de risco quero dizer risco equivalente ao do tesouro).
    Talvez um benchmark mais adequado seja o tesouro selic líquido, calculado após o desconto de impostos e taxas.

    Agora, dos pontos que levantou, o terceiro não me parece ser um problema relacionado a este tipo de investimento, mas sim às necessidades do investidor e seus controles financeiros. Isso não faz um CDB ser bom ou ruim, melhor ou pior do que uma ação ou um FII.
    No mais, concordo com tudo que escreveu.

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  3. AdP,

    Seus argumentos são válidos, porém é importante ressaltar que valem apenas para o cenário atual.

    Minha opinião a respeito é que vivemos uma última década atípica, com juros muito altos e o mercado lateralizando, de forma a colocar o rendimento do CDI acima dos demais investimentos.

    Isso não é comum em nenhum país do mundo (nem no Brasil historicamente), e dentro da normalidade a renda fixa não é benchmarking para nada.

    Um cenário normal é equity premium positivo (óbvio), com a expectativa de retorno das ações acima da renda fixa, enquanto esta pagando juros reais não maiores que 3%.

    Abraços.

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    1. De acordo com este estudo, feito com milhares de ações americanas, a ampla maioria das ações tem equity premium NEGATIVO.
      O retorno em excesso viria de um pequeno grupo de ações.
      Na média, ações oferecem um potencial de retorno maior. Na mediana, não.
      Abraço
      Link para o estudo:
      https://poseidon01.ssrn.com/delivery.php?ID=128099110002126073005105000031127105016045018003062006097072070089096024011084021091009055049008126055027072111030078102107095010034047002017103025017072002037066074122001103095015089110095024095072123017073116085127095002103072098119103125&EXT=pdf

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    2. Anônimo,

      Interessantíssimo estudo, que até então eu desconhecia. Passei o olho pelos gráficos, e em breve irei lê-lo com a devida cautela. Obrigado pela indicação.

      De qualquer forma, ele não invalida nada do que disse. Suas conclusões apenas corroboram a necessidade da diversificação e a tarefa geralmente inglória que é o stock picking.

      O cenário normal em qualquer mercado é de correlação entre risco-retorno e portanto o investimento mais arriscado pagando um prêmio de risco ao investidor, ou seja, com uma expectativa de retorno mais alta.

      Abraços.

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  4. Falando em diversificação, no geral, o mercado financeiro funciona da seguinte forma:

    pessoas "pobres": poupança
    pessoas "classe média": tesouro direto, CDB, etc...
    pessoas "ricas": LCI, LCA, etc..
    pessoas "muito ricas" ações, fundos, etc...
    pessoas "milionárias": private equity, etc...
    pessoas "bilionárias": dono do banco

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  5. AdP, primeiramente parabéns. Vou falar apenas do que discordo mesmo que pouco.
    Muito respeitosamente te digo que, se considera 10mil de aplicação mínima um valor alto, acho que precisa focar em aumentar a sua renda ativa, sobretudo em função do nível de inteligência/capacidade que aparenta.
    A falta de liquidez não é um problema, mas uma característica, uma limitação, que pode ser ajustada caso o caso.
    Isso é pessoal, mas o que são 900 dias? Isso é curtíssimo em um período de formação de patrimônio. Acho mais previsível e ajustável 900 dias sem liquidez do que TD pra 2045 com liquidez diária porém com alta oscilação a mercado.
    O fato de ter vencimento curto não é um problema necessariamente um problema pra independência financeira, como comentou. Em que sentido você ter mais dinheiro sob menores esperas é um problema? Claro, precisa reaplicar, mas com o montante maior e o dinheiro em mãos é até mais fácil.
    O risco, sim, vejo como a real desvantagem, mas controle de risco ajuda a mitigar.

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  6. ADP,

    Post muito interessante!

    Eu desencanei de vez com essa baboseira de rentabilidade. Depois vou fazer um no post no meu blog a respeito, contudo, já posso adiantar que, assim como o Seu Madruga, os meus fechamentos mensais ACABARAM!

    Abraços.

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    1. Livr3, vc é uma figuraça!Só pq decidiu ser desnecessário medir a sua rentabilidade agora dá para chama-la de baboseira.
      Desse jeito vc vai ficar como o bastter, um burro que acha que suas bravatas sao verdades absolutas e ainda xinga quem não concorda kkkkkkk

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    2. pra quem aportar MUITO mensal, pouco importa rentabilidade. sem mais.

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    3. "desencanei de vez com essa baboseira de rentabilidade" aguardarei este post, rs.

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    4. Esse pivete de cartola acha que o mundo gira ao redor do seu umbigo ... Não vejo mais rentabilidade, então isso é ridículo; não gosto do Brasil, então soh tem idiota no Brasil; não bebo mais cerveja, então cerveja eh baboseira... e blah blah blah

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    5. Anônimo 11:55,

      Obrigado pelo "elogio", hahaha.

      Eu respeito todas as opiniões, embora não seja obrigado a concordar com elas, e estou em constante evolução. Rentabilidade, realmente, não é uma baboseira, e sim uma inutilidade, como o gigante VD já havia dito há um bom tempo:

      http://viverdedividendos.org/rentabilidade-e-sua-inutilidade/

      Abraços!

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    6. Icaro,

      Para quem aporta pouco também.

      Renda fixa (perda fixa) paga mais ou menos a mesma coisa, e renda variável pode render 10% em um mês, e -10% no outro.

      Vale a pena ficar medindo isso, sendo que, no longo prazo, cotação segue tão somente lucro?

      Abraços!

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    7. UB,

      Pode aguardar my friend!

      Abraços.

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    8. Anônimo 17:06,

      Ficou nervosinha?

      Eu tenho as MINHAS opiniões, e ninguém é obrigado a concordar com elas. Se você calcula rentabilidade, ama o Brasil, e bebe cerveja, isso é problema exclusivamente seu.

      Aprenda a respeitar a cabeça dos outros, seu babaca!

      Abraços.

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    9. Este comentário foi removido pelo autor.

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    10. Opinião é igual cú cada tem o seu

      A lei da gravidade esta presente no mundo independente de você acreditar ou não nela.

      O mesmo vale para realidade da rentabilidade " você pode acreditar ou não em stock picking + carteira passiva.

      Caso tenha lido pelo menos metade da literatura mundial sobre investimentos sabe que para um stock picking rentabilidade importa, caso contrario compraria um ETF e dormiria tranquilo sem balanços e dor de cabeça com empresas.

      Tanto importa que não tem como tu medir desempenho da efetividade da carteira pra quem faz stock picking em relação ao índice passivo.

      Nem buffet faz isso" Recentemente velho de omaha vendeu boa parte da participação da IBM e comprou tudo em Apple. Provavelmente percebeu que a rentabilidade ficaria muito prejudicada frente ao índice.

      O estudo que anon postou ai em cima evidência boa parte dos argumentos do porque rentabilidade importa para um stock picking.

      Boa sorte IL

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    11. Cada um deve traçar e seguir a sua própria estratégia.

      Todavia, acredito que ninguém alcançará a IF perdendo 98% do que investe. Por exemplo: OGXP3 (para quem comprou a 30 reais), MILK11, e assim por diante.

      Portanto, ainda que não considere a rentabilidade como o "centro do universo", e, na verdade não é, não pode também desprezá-la completamente.

      http://antipoda.com.br/

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    12. Em tempo: AdP, faltou mencionar os investidores que superaram o CDI na blogosfera.

      Abraço!

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    13. Mauricio apesar de apenas 2 anos de acompanhamento esta aqui minha NT de 25 meses:

      CDI Acumulado:29,18%
      Carteira do mestre acumulado:47,17%<<<<
      IPCA acumulado:13,74%
      Média de rentabilidade a.m = 1,89%

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    14. 'eu anônimo, não consigo visualizar renda variável em curto prazo, pois a volatilidade do humor do mercado é muito instável, mas nada melhor para diluir isso do que o tempo. Quando a gente olha um gráfico de um período histórico de dez, quinze, e mais anos em diante uma crise vira ponto desprezível, ao passo que no meio dela a gente acha que o mundo vai acabar e fica batendo cabeça com os nossos investimentos.

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    15. A "baboseira da rentabilidade" é simplesmente o resultado final dos investimentos!! hahahahhaha

      IL sempre divertindo a blogosfera! rs

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  7. ADP, que bela postagem!
    Muito prazer, sou leitor assíduo do seu blog há algum tempo.

    Diversos investimentos possuem diversas variáveis, acho que comparar com tanta rigidez é besteira.


    Montei um blog recentemente e, se quiser, dá uma passadinha lá e confere o conteúdo! Te adicionei no meu blogroll, se quiser me adicionar ao seu ficarei muito feliz! http://enriquecendo.club

    Abraços

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  8. ADP, obter rentabilidade líquida equivalente ao CDI realmente é tarefa para poucos, sobretudo investidores institucionais. O ideal, para o pequeno investidor, seria comparar-se ao investimento que está ao seu alcance com liquidez e baixo risco (CDI menos 15% de IR do tesouro SELIC).

    Abraços

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    1. Concordo com o EI. 85% do CDI é um bom benchmark para o investidor pessoal física. 100% do CDI é um resultado excelente e dificilmente pode ser alcançado sem um mix de renda fixa e variável. Quanto a medir a rentabilidade, temos aquela máxima da administração: "o que não é medido não é administrável". Pode-se claro não medir rentabilidade, mas aí se abre mão de saber se as suas escolhas de investimento estão multiplicando ou destruindo o seu capital...

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  9. eu acho que se vc quer uma rentabilidade maior, tem que abrir mao de alguma coisa. as ações tem liquidez mas, a menos que vc faça trading, o lucro que compensa o risco/volatilidade só vem em medio/longo prazo. dependendo do ciclo economico pode levar anos, igual ao CDB 115%. uma empresa tbem pode ir a falencia e aí sei lá qual a prioridade do pequeno acionista. o que realmente mata o pequeno investidor é o valor minimo para aporte. acho valido cdb/lci/lca pra fase de acumulação, ja no pós-IF fica ruim controlar. a pessoa teria que aportar todo mes um valor, pra colher dali alguns anos, pro resto da vida... mais pratico ir nos cupons do TD ou FII como vc disse. diversificar é bom, mas só com os investimentos que vc se sente a vontade.

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  10. boa noite,
    Quando uma pessoa percebe que o canto da sereia do mercado vai deixar ele sempre dura; se tranforma em poupador. A medida que o patrimonio vai crescendo, vai mudando a metrica aceitavel de rendimento. Eu comparo o crescimento da minha cesta de investimentos com a inflação. Para aplicação de renda fixa prefiro segurança de banco grande. Risco de ganhos altos; na bolsa. Maico2013

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  11. Fala, AdP!

    Muito bom, sempre bom lembrar estes assuntos!

    Creio que o CDI deve ser a meta. De fato, como vc colocou, é difícil alcançar 100% do mesmo devido às questões de investimentos e até a parte de impostos. Mas para uma comparação de acompanhamento, enquanto não há realização dos lucros, não há incidência de imposto, então é uma comparação bem justa.

    Abraços!

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  12. Acho uma doidera ficar comparando rentabilidade de renda fixa com variavel..
    R.R

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    1. Ora bolas, se explique melhor Anon R.R.

      Rentabilidade é um conceito objetivo. Trata-se apenas de auferir o percentual de remuneração do capital investido.

      E como tal pode ser comparado com qualquer atividade. Posso tranquilamente comparar a rentabilidade de vender banana na feira, com investir, sei lá, em Grendene.

      Claro que rentabilidade é apenas uma variável entre tantas a serem consideradas (risco, liquidez, conhecimento, etc).

      Me diga um investidor na blogosfera que bateu o CDI nos últimos 5 anos? Eu desconheço.

      Bon Vivant Rentista

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    2. Estão confundindo Lucratividade com Rentabilidade!

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    3. Isso se chama benchmark anon.

      Todos fundos de investimento seja fundo multi mercado , imobiliários usam da mesma metodologia.

      Ganhar da renda fixa no Brasil sempre foi divisor de aguas para medir eficiência , estratégia e operacional.

      Se você não ganha do custo oportunidade é perca de tempo correr mais risco em renda variável.

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    4. Eu entendo perfeitamente o que o Anon disse, e acho que faz muito sentido. Repetindo o que disse mais acima: vivemos uma última década atípica, com a renda fixa performando muito acima do razoável, e com o mercado acionário lateralizando. Isso não é o normal de acontecer, pois se a expectativa de retorno do investimento mais seguro for maior, não faz o menor sentido se expor ao risco.

      No caso discutido, o ponto é que renda fixa e renda variável tem perfis de risco totalmente diferentes, e creio que seja bem razoável comparar a própria carteira com um benchmarking de perfil de risco semelhante, caso contrário o mercado pode submeter-te a distorções absurdas na medição. Exemplo: suponhamos que o Ibovespa suba 200% em um ano e a carteira de ações medida suba 50%. Compará-la a um CDI hipotético de 12% e dizer que a performance foi muito boa não seria prudente, na minha modesta opinião.

      A verdade é que investidores brasileiros que ignorarem um histórico de longo prazo no comportamento do mercado estarão sujeitos a achar que a renda fixa sempre performa acima da renda variável e que o mercado de ações como um todo não é gerador de riqueza. De 1995 a 2007, apenas para dar um exemplo, e em um período pós estabilização da moeda, o Ibovespa saiu de 4.299 pontos para um pico de 63.886 pontos. Qualquer investidor que comprasse o índice e esquecesse que o mundo existe performaria muito, mais muito acima do CDI no período.

      Mas acho razoável acompanhar o CDI tendo-o em mente como uma opção de alocação de menor risco, pensando no ponto que o Mestre mencionou acima. Inclusive eu mesmo faço isso.

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    5. Exato MD, o único propósito de alguém comparar com o CDI (ou CDI menos 15% de IR) é para verificar se valeu a pena, em determinado período, correr mais risco (em RV por exemplo) pela rentabilidade obtida. Na verdade a meta de qualquer investimento em RV tem que ser superar o CDI no longo prazo, senão não valeu a pena o risco.

      Da mesma forma, comparar uma carteira de ações com IBOV, deve ser feita para verificar se está valendo a pena o tempo e esforço gasto analisando balanços e comprando ações da empresa A ou B. Se não superar o IBOV no longo prazo, chega-se a conclusão que valeria a pena ficar num ETF do IBOV que dá infinitamente menos trabalho.

      Isso tudo estou falando no longo prazo, já no curto prazo, comparar, principalmente com CDI, não tem muita relevãncia, pois são riscos muito diferentes.

      Abraços

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    6. EI acabou comentando 1 minuto após meu comentário e abordou o ponto por um prisma diferente, rs.

      Concordo com o que disse, e acho necessário fazer um adendo:

      O CDI é inútil como medidor de performance de uma carteira de ações específica, pois esta deverá ter em vista um benchmarking com perfil de risco semelhante. Porém, pode ser útil utilizar o CDI para avaliar a necessidade de alteração na exposição a risco da carteira, de forma a buscar otimizar sua relação risco-retorno.

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    7. 'eu anônimo, em minha opinião nada ganha no longo prazo dos investimentos das boas empresas e suas respectivas ações, do contrario todo mundo iria para a renda fixa e fecharia todos os negócios empresariais e o capitalismo seria o socialismo de estado e todo mundo empregado do grande patrão Estado. Isso não elimina parte dos investimentos em renda fixa, pois as oportunidades de empresas baratas sempre surgem e quem tem capital em renda fixa tem a oportunidade de compra-las. Mas, nada ganha do longo prazo da renda variável vinda das boas empresas.

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    8. Pretenso Milionário,

      a questão é que mesmo q vc utilize um benchmark de renda variável, isso não faz sentido para o pequeno investidor.

      Digamos que em determinada janela, vc consiga superar o benchmark e perder para o CDI. Não valeu a pena, mesmo sua carteira tendo um desempenho superior ao seu benchmark. O pequeno investidor deixa de ganhar de qualquer maneira.

      A situação é completamente diferente de muitos fundo de investimentos, onde a superação do benchmark costuma carregar um bônus (taxa de performance) onde os gestores do fundo ganham mais do que ganhariam. Por ex, o IBOV fica em -20% e o fundo em -10%. Os cotistas terão de pagar um BÔNUS ao fundo em cima da diferença de 10% (como em geral a taxa é de 20%, a taxa neste caso seria 2%). Ou seja, mesmo o investidor perdendo dinheiro, ele perderia mais 2% pra paga a taxa. Isso é bem escroto, rs.

      Claro, é uma boa comparação de gestão ativa, para medir seu desempenho. Mas a META do investidor, tem que ser o CDI. Aversão ao risco...

      []s!

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    9. Dimarcinho,

      Concordo com o que disse, o CDI é o medidor de "se valeu a pena expor-se ao risco", porém, tentarei explicar o meu ponto de forma mais clara:

      CDI é, por definição, a taxa livre de risco. Portanto, é um parâmetro de risco mínimo, não de rendimento ótimo. No longo prazo, o investidor que se exponha a um risco maior que o CDI, dentro da normalidade, irá consistentemente batê-lo. Como disse, isso é o normal, não quer dizer que sempre irá acontecer, como não aconteceu na última década. Mas se o normal fosse o inverso (CDI como rendimento ótimo, batendo consistentemente investimentos com risco maior), então o risk premium não chamaria risk premium, e sim risk punishment. E burro seria quem assumisse maior risco com uma expectativa de retorno menor.

      O problema é que, usando-se o CDI como benchmarking (que conota rendimento ótimo, meta a ser atingida) para uma carteira de ações, podem acontecer severas distorções como a que eu mencionei mais acima, e o investidor pode achar que está melhor do que realmente está (tendo rendimento pior do que sua exposição ao risco lhe garante pelo índice).

      O que estou querendo dizer é que bater ou não o CDI para alguém que se exponha a renda variável dependerá majoritariamente do risco sistêmico, e menos de suas escolhas ou habilidades. Assim, creio que o mais prudente para o pequeno investidor medir a performance de sua carteira de renda variável (suas escolhas) seja compará-la com o benchmarking adequado, ou com exposição semelhante ao risco.

      Na verdade, essa discussão começou por causa de um Anônimo que disse que não faz sentido comparar renda fixa com renda variável. O que ele disse faz sentido, mas eu entendo perfeitamente a utilidade do CDI, inclusive o acompanho, rs.

      Abraços.

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    10. Concordo com suas ponderações.

      O grande risco aqui escondido é o pequeno investidor que possui uma carteira que tem constantemente desenvolvido acima do mercado (IBOV), mas ao mesmo tempo está perdendo para o CDI.

      Este investidor pode estar feliz e se sentindo um verdadeiro Warren Buffett, mas na prática tá perdendo dinheiro pra tia velha dele que deixa o dinheiro na renda fixa.

      []s!

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  13. Grande AdP, aproveitando o tema CDI, gostaria de fazer uma sugestão de aprimoramento da sua planilha de acompanhamento mensal, tal como utilizada neste vídeo:

    https://m.youtube.com/watch?list=PL0bNSoyU1JtuVSmYrSueRjPOKxhSa9NPY&v=eS5ndUFTZfA

    A planilha é idêntica a sua, porem, além da coluna de inflação/rendimento real, foi acrescentado ao lado outras duas colunas, uma com o CDI e outra para informar o percentual do CDI que a carteira está rendendo. Vc poderia atualizar sua planilha com esses dados para ficar mais completa? Acredito que ficaria show. Fica a sugestão! Caso não tenha interesse, poderia me ensinar a inserir esses dados na minha? Forte abraço!
    IM

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    1. IM, minha planilha de controle tem o rendimento líquido de IR e IPCA, além da comparação com CDI. Só dá o trabalho de coletar os índices mensalmente e alimentar dados.

      Chegando em casa, se me lembrar, mando pro teu mail.

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    2. Valeu Charlito, se puder mandar, meu e-mail é investidordomilhao@gmail.com
      Brigadão! Abs

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    3. Charlito, vc tb poderia me enviar? -> marujogs@gmail.com

      IM,
      Vi a planilha utilizada na video, literalmente é uma cópia da planilha do ADP com melhorias. Pena que o autor não deu créditos ao mentor.

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  14. Texto muito bom. Como o EI postou acima, mais adequado seria considerar o rendimento líquido do tesouro selic como benchmark, essa sim uma alternativa de investimento real, com baixo riscos e viável para todos.

    No mais, não achei que o texto da Vérios acrescentou muito quanto às LCI/LCA. A falta de liquidez é uma realidade já conhecida (cabe ao investidor adequar sua carteira), mas a desconfiança no FGC não me convenceu. Claro, no dia do apocalipse em que todos os bancos quebrarem o FGC não será suficiente, mas este não é argumento para deixar de aplicar em LCI/LCA de bancos menores - este seria o argumento para não deixar dinheiro em banco nenhum (se só os bancos pequenos quebrarem, não há nenhum estudo ou indício de que o FGC seria insuficiente e isso não parece provável pela comparação do volume dos grandes com os pequenos).

    A impossibilidade de "rastrear" o lastro dos títulos também não me preocupa, já que o empréstimo é para o banco, que deverá pagar o investidor independentemente do que aconteça com o agricultor/comprador de imóvel. Se o banco como um todo quebrar, voltamos ao FGC no parágrafo anterior.

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  15. Faaaaaaaaaala ADP! Show de Blog, Show de postagem!

    Eu, foco no investimento de renda fixa para superar o CDI. Me identifico com esse perfil mencionado por você que busca investimentos em CDB de 120% do CDI (Banco Maxima, etc) por 5 anos e aporte de R$5.000,00 a R$10.000,00 por aplicação.

    Já percebi que prefiro e estes riscos me deixam confortáveis. Assim como os riscos dos seus investimentos te agradam. Penso que o "se sentir bem" é o que deve ser seguido.

    E assim vou, sem rendimentos absurdos anuais (como os seus no ano passado) mas em uma média que me agrada.

    Depois volto para ler os comentarios, mas realmente é um ótimo, excelente, post!

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    1. Limitando a 250k vale menos a pena ainda...

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  16. Adp, aqui é o 'anônimo e fã deste blog e que nunca deixa de ler os seus excelentes apontamentos, além de também ler as opiniões deixadas pelos investidores e creio que também fãs de seu espaço virtual, a gente sempre está aprendendo alguma coisa.
    Esse assunto de CDI e acompanhamento de rentabilidade baseada nesse índice faz a gente lembrar da década de 1980 e 1990 período esse de alta inflação, que até as empresas tinham dificuldade para investir em seus negócios e partiam para o oper e o over, a poupança nem se fala era uma loucura, mas os negócios do mundo real mesmo, o mercado físico sofreu bastante neste período.
    Penso que investimento nenhum no longo prazo ganha de investimentos em ações, nem o CDI, porque se ganhasse todo mundo fechava as empresas, a não ser voltemos para o período da hiper inflação e as voltarem a ter dificuldade de controlar os seus investimentos.
    O problema é escolher as boas empresas, inclusive as que passam pela crise sem correrem o risco de quebrar, o resto só o tempo é diz a que veio.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. AdP,

    Bom post.

    Como não tenho ativos físicos, meu objetivo é sempre bater a inflação.

    O importante é sempre aportar e deixar os juros compostos fazerem o resto.

    Abraço!

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  19. Adp,
    No meu plano de IF, pouco importa bater o cdi. Meu objetivo é bater a inflação. Qualquer migalha que eu ganhar acima da inflação já justifica a minha poupança para aposentadoria e/ou independência financeira.
    Leandro

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  20. Me esclareceu uma dúvida que vinha martelando na cabeça, pois nas buscas nunca achava essa opção de investir em CDI, mas agora está explicado. O jeito é ficar com o LCI e LCA e ir aumentando o capital. Grato.

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  21. Primeiro, quem seria classificado como "pequeno investidor" (montante investido e média de aportes mensais de quanto)!?
    Pq penso que bater o CDI é relativamente simples, dada a existencia de CDBs, LCs e RDBs com percentuais acima de 120% com prazos acima de 2 anos

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