domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os 8 maiores inimigos do investidor

Vida de investidor não é nada fácil. Após poupar um dinheiro que poderia proporcionar conforto imediato a ele e à sua família, ele decide entrar no mundo dos investimentos. Infelizmente este mundo é repleto de armadilhas, onde muitos acabam não sobrevivendo. Conheça abaixo os 8 maiores inimigos dos investidores:


8º lugar - Falta de tempo a favor
Já encontrei com muitas pessoas que iniciaram seus investimentos um pouco tarde. Ao começar aos 40 anos, o investidor tem uma grande desvantagem. Ele não usufruirá totalmente uma das ferramentas mais maravilhosas do mundo dos investimentos: os juros compostos.

Pelo menos, apesar de não ser regra, normalmente maior idade vem acompanhada de maiores salários, o que pode compensar um pouco esta desvantagem. Pena que maior idade significa também maiores gastos com família e saúde.
No mundo dos investimentos, um conselho é unânime: “Quanto mais cedo começar, melhor será”.




7º lugar – Euforia e Medo
A pessoa consegue fazer o dever de casa, que é gastar menos do que ganha. Resiste aos encantos das propagandas que nos cercam e consegue viver somente com o que realmente necessita. Apenas com essas ações ela se destaca da maioria dos meros mortais. 

Mas atire a primeira pedra quem nunca começou com a poupança! Fácil de usar, ela conquista milhões de aplicadores. E para que aplicar em outra coisa?


Com a mídia alardeando que o mercado de ações é muito arriscado, o medo toma conta das pessoas. Quem aplica em ações sabe o que estou falando. Tente puxar assunto sobre ações na roda com os amigos e você verá a cara deles de “esse cara é louco!”.


 Tesouro Direto? Cuméquié? Deixar o dinheiro com o Governo? E se ele não me pagar? Abrir conta na corretora? E se ela quebrar?


O investidor acaba abrindo mão de um diversificado leque de investimentos por causa do medo, deixando de potencializar seu patrimônio.


O contrário do medo é a euforia. Normalmente este fenômeno é típico do mercado de ações e imobiliário. Após aquela revista de investimentos reproduzir na matéria de capa os novos milionários do mercado de ações, um pelotão de pessoas eufóricas invade a bolsa de valores, jogando as cotações a patamares surreais. Quando se tem certeza de que a bolsa de valores é um lugar onde se consegue dinheiro fácil, é hora de rever outras formas de investir.
Um sinal de que o mercado está eufórico surge quando os programas de culinária matinais falarem sobre o mercado de ações. Algo ruim acontecerá cedo ou tarde.

Normalmente o medo e a ganância vêm acompanhados com o próximo inimigo do investidor.




6º Lugar – Preguiça
É natural do ser humano sentir medo do que não conhece. Somente após adquirir conhecimento que o medo se torna controlável. Por exemplo, o medo se apodera de uma pessoa que tenta escalar uma montanha sem possuir conhecimentos de alpinismo.


Mas para esta pessoa que quer escalar uma montanha, há três alternativas. Ela pode fazer um curso de alpinismo, ir acompanhada por alguém que saiba escalar ou, em última hipótese, poderá desistir por pura preguiça, devido a tamanha dificuldade.


Infelizmente no mundo dos investimentos a preguiça é mais frequente. Há investimentos que, apesar de serem pouco rentáveis, não exigem o menor esforço do investidor (sim, estou falando da poupança). 


Junte a dona preguiça e o senhor medo e teremos uma dupla difícil de combater. O medo faz com o que investidor não aplique em investimentos mais arriscados e a preguiça faz com o que o investidor não se informe sobre estes investimentos. Enquanto ele não se informar por causa da preguiça, o medo permanecerá, tornando-se um ciclo perigoso.


Mas também há os casos em que o investidor não possui medo, mas tem preguiça de se informar. Esta é uma das formas mais efetivas de se perder dinheiro. Investir em algo desconhecido é um dos caminhos mais rápidos para o insucesso.


Outra dupla imbatível é a união da preguiça com a ganância. A ganância fecha os olhos para a informação. Não é raro encontrar pessoas que embarcaram em investimentos gananciosos e quebraram a cara por causa da preguiça de se informar. Avestruz master, forex, esquemas ponzi e boi gordo são exemplos perfeitos. Qualquer um que se dedicasse a se informar poderia ter deduzido que estes “investimentos” exotéricos não se sustentam.




5º lugar – Descontrole Emocional
O investidor se dedica em buscar informações. Estuda. Faz simulações. Procura outros tipos de investimentos. Faz análise de risco. Pronto! A estratégia está traçada. Hora de aplicá-la.


Ele executa a estratégia e logo após seus investimentos se avermelham. O investidor é tomado por uma dor no peito. Uma sensação ruim invade seu corpo. Dormir se tornou uma tarefa difícil. No outro dia está caindo mais ainda.  O sujeito não aguenta e desfaz toda a sua estratégia. Por passe de mágica, logo após o clique de venda, aquele investimento está disparando. Você acaba descobrindo que você vendeu em um fundo.


Ou então é aquele investimento que você planejou segurar por anos. Você aplica e ele sobe que nem foguete. 20% em um mês!? Algo deve estar errado. Você vai lá e vende. Depois de 2 meses, aquela ação duplicou o preço, e o investidor se remói por ter vendido a um preço baixo.
O descontrole emocional faz parte dos investimentos. O sucesso advém em sua maior parte pela disciplina emocional. Quando o investidor deixa o seu lado emocional dominar o seu lado racional, suas chances de insucesso aumentam.




4º lugar - Obter Informações erradas
O investidor acumula uma boa quantidade de dinheiro e deseja aplicá-lo para comprar uma casa daqui a X anos. Ao invés de procurar se informar em fontes confiáveis e tirar suas próprias conclusões, ele decide realizar este trabalho pelo modo mais fácil. Visita a agência de sua conta bancária para obter consultoria do gerente de seu banco. Após uma amigável conversa, seu gerente indica um maravilhoso Título de Capitalização, informando que rende igual à poupança, podendo ainda o investidor ser contemplado com prêmios. Entusiasmado, ele aplica todo o seu dinheiro.


Após X anos, uma ótima oportunidade de comprar uma casa aparece e ele decide realizar o resgate. Entretanto, acaba descobrindo que a aplicação não chegou nem perto da simulação de rendimento que ele calculou em casa. Irritado e insatisfeito, o investidor retorna à agência para saber o que aconteceu. O tal gerente lhe mostra o contrato assinado, dizendo que apesar de o rendimento do contrato mostrar que era igual à poupança, havia taxas de participação das premiações, que consumiam boa parte deste rendimento. Se sentindo enganado, o investidor perde a oportunidade de comprar a casa própria.


Não satisfeito com a derrota, o mesmo investidor assiste a uma notícia na televisão e decide ser mais agressivo nos investimentos através do mercado de ações. Ele entra em alguns fóruns na internet e encontra várias debates sobre ações que irão bombar. O investidor seleciona uma empresa que está se reestruturando e abrindo uma nova fábrica em outra região. Decide aplicar tudo o que tem, pois com certeza terá retorno garantido. Mas ao longo do tempo ele fica perplexo ao ver que seu dinheiro está sendo minguado. Assumir prejuízo está fora de cogitação. Ele decide então se tornar investidor de longo prazo nesta empresa com a esperança de pelo menos empatar o prejuízo. Afinal de contas, a bolsa de valores é um cassino e não há motivos para a ação cair tanto.


Infelizmente as informações erradas são uma das maiores armadilhas do mundo dos investimentos. Na maioria esmagadora dos casos, as informações erradas estão em um formato atraente. Elas podem estar em um programa de televisão. Talvez sendo transmitida por aquele cara que parece que sabe muito da empresa em um fórum. Pode estar no sorriso do gerente de seu banco. Ou mesmo naquele livro recém lançado.




3º lugar – Ganância
A ganância também faz parte do descontrole emocional, mas merece um lugar mais alto no pódio. Muito comum no mercado de ações, ela está presente quando o investidor pretende ganhar mais ou perder menos do que o planejado. Está presente quando o investidor quer acertar à risca o fundo e o topo do gráfico da ação.


Você está de olho em uma ação que está a 36 reais e gostaria que ela estivesse a 32 para comprar. Após uma notícia aparentemente ruim, o mercado joga a ação para 28 reais. É nesse momento que muito investidor deixa a estratégia de lado. “E se ela for para 26 reais? Se for eu compro!” Passa um mês. Passam dois meses. A ação de 26 reais vai para 37, e assim o investidor se xinga por não ter aproveitado a oportunidade que surgiu. A ganância fez com que ele deixasse a estratégia de lado a fim de lucrar o máximo possível.


Ou então é o investidor que compra ações de uma empresa e observa seu dinheiro sendo aos poucos minguado. Notícias ruins aparecem. A empresa tem prejuízos acumulados. Governança ruim e administração péssima. Quando a cotação reflete o momento que a empresa está passando, a ganância pode falar mais alto e o investidor deixa de assumir a perda, abrindo mão de investir em empresas melhores.




2º lugar - Custos
Não tem para onde correr. Quem quer investir tem que pagar um preço por isto. E maiores custos significam menores chances de sucesso. Imposto de renda, taxa de carregamento, taxa de custódia, manutenção, performance, transferência bancária, serviços, come cotas, corretagem e uma infinidade de custos estão presentes no mundo dos investimentos.


E eles enganam! Muitas dessas taxas correspondem a uma pequena porcentagem por ano. Outras estão na casa dos centavos. Mas faça uma simulação de investimentos a custo zero e compare com o investimento custoso. Você perceberá que no longo prazo eles consomem uma boa parte da bola de neve.


Exemplificando, para quem compra e vende ações com frequência, as taxas de corretagem são um ferrenho inimigo. Para quem opera 2000 reais em ações e desembolsa dez reais por cada operação de compra e venda, na ponta do lápis inicia perdendo 1%. É preciso que a cotação suba 1% para empatar o investimento, isto sem contar com as taxas de manutenção mensal, taxas CBLC e taxas de transferência bancária. Depois de tanto trabalhar para manter-se na linha positiva, ainda é preciso entregar parte deste trabalho para o governo na forma de imposto de renda. Quando se sai no campo negativo, o governo não contribui. Assim é difícil sobreviver no mercado.


Para quem opera no Tesouro Direto e possui juízo sabe que aquele título de 11% ao ano não será totalmente desfrutado. O imposto de renda e a comissão da corretora comem parte do rendimento. Há ainda as taxas semestrais e a taxa de corretagem e custódia.


A única que foge da maioria dos custos é a nossa velha e clássica poupança, mas o investidor terá que se contentar com os seus parcos rendimentos.




1º lugar – Inflação
Qual investidor não tem medo da inflação? Reformularei a pergunta. Quem não tem medo da inflação?

A inflação é um dragão que corrói tudo que ele toca. É um dragão silente, invisível, mas presente. É um ser incontrolável, indomável, rebelde. Não sabemos quando ela poderá voltar com força. Ela diminui o nosso poder de compra. Quanto maior a inflação, menor as chances de sucesso. Toda uma vida de investimentos pode ser derrubada em um ano altamente inflacionado. Não há investimento totalmente seguro contra inflação.

É importante repetir. Não há investimento totalmente seguro contra a inflação. Nem as NTNB-Principal do Tesouro Direto, que rende IPCA + juros. Mesmo assumindo que o IPCA reflita a inflação real do brasileiro, em altos períodos inflacionários o imposto de renda comerá parte do ganho real. Abra lá a calculadora do Tesouro Direto e teste uma alta inflação, uma baixa taxa ao ano e um período de cerca de 5 anos. Você verá que perderá para inflação.

Este sem dúvidas é o maior inimigo dos investidores. Você pode ser uma pessoa totalmente disciplinada, bem informada, além de possuir investimentos a baixos custos. Mas quando o dragão da inflação chegar, não tem para onde correr.
E você, concorda com a lista? Conhece outros inimigos? Então deixe a sua opinião nos comentários.

13 comentários:

  1. Olá AP,

    realmente tais inimigos rondam os investidores, porém, com o tempo se aprende a lidar com eles . Mas para se chegar ao ponto de domá-los muita água rola por debaixo da ponte.

    Uma coisa deve ficar bem claro, mercado de ações é sem a menor sombra de dúvida muito arriscado. O que devemos aprender arduamente é gerenciar o risco e isto envolve auto controle, percepção da ganância e seguir piamente o plano traçado antes de alguma operação.

    Se o mercado de ações não fosse tão arriscado não apresentaria a possibilidade de um fabuloso retorno, seja no curto ou longo prazo.

    Mas atualmente, o que percebo é que está existindo uma enorme distorção entre investimento em mercado de ações no longo prazo e acompanhamento no curto prazo. A pessoa diz que investe no longo prazo e todos os dias está de olho nas cotações e no noticiário e toda semana mudando as posições. Esta distorção é danosa e discaracteriza qualquer plano. Tem-se que ter muito cuidado com isto.

    Neste post você fez uma ótima lembrança com relação aos inimigos do investidor. Se me permite eu sugiro o iimigo número 9 - excesso de informações sobre economia.

    Infelizmente se muitos começam mais tarde, teoricamente não terão tanto sucesso nos resultados que o tempo proporciona, por outro lado, começar mais tarde mas com uma boa dose de gerenciamento de risco e conhecimento, os resultados poderão ser fantásticos. Nunca é tarde para começar.

    Bons investimentos.

    G65

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  2. Olá G65
    Tudo que você falou é verdade. O excesso de informações é inimigo ferrenho dos investidores. Acho que poderíamos inclui-lo no inimigo número 4.
    Começar tarde é apenas uma desvantagem, mas nada impede que com um bom manejo de risco e uma boa estratégia, uma pessoa consiga resultados incríveis. É como você disse, nunca é tarde para começar.

    Abraços e bons investimentos

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  3. Com tudo isso, eu fico até assustado pra mim que ta começando agora, então o que fazer?? rsrs

    o pior de todos os inimigos - A Inflação O.o

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  4. Olá RLF
    A maioria destes inimigos podem ser enfrentados através da discipla e da educação. Essas são as duas palavras-chave do sucesso. Não podemos temer o mundo dos investimentos :).

    Abraços

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  5. há um outro inimigo, que considero o pior deles: a falta de auto-conhecimento.

    Uma pessoa que se conhece vai conseguir ouvir seu emocional na hora de um trade, vai saber separar o medo da falta de informação ou alto risco, vai distinguir a ansiedade que faz comprar antes da hora ou vender cedo, consegue controlar o desespero na hora da queda e ter sangue frio para mais compras na hora que todos estão desesperados e realizar os lucros na hora em que todos se divertem com a alta absurda.

    mas de resto, texto perfeito!

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  6. Olá Lu
    A falta de autoconhecimento acaba gerando um pouquinho de medo, ganância, descontrole emocional e preguiça. E isto contribui para o insucesso nos investimentos.
    Adicionei o seu blog :)

    Abraços

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  7. Ótimo artigo. Acredito que todo investidor em algum momento deparou-se com algum ou alguns desses inimigos. Particularmente, falta de auto-conhecimento e medo/ euforia atrapalharam-me muito no início (talvez você se lembre de meus posts no infomoney, comprando MNDL/RPMG/VAGR). Por fim, sugeriria um post sobre as formas de enfrentar esses fantasmas.

    Abraço!

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  8. Olá IaLP
    Obrigado pela sugestão. Mas acredito que o controle emocional e obtenção de boas informações combatem todos os inimigos do invetidor (com exceção da falta de tempo).
    Abraços

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  9. eai AP, belo post,
    Acredito que praticando frugalidade na vida pessoal e a diversificacao na vida financeira voce consiga os melhores resultados pois controlando o risco sempre se tornara mais vantajoso, voce nao ganha muito mas tbm nao perde, isso se a pessoa sabe qual é seu tipo de comportamento, agressivo moderado ou conservador, o estudo e a busca por informacao é sempre o melhor negocio. abraço

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  10. Excelentes ponderações Além da Poupança,
    Abordou de forma bem clara e didático os principais erros de todo investidor.

    Abraço.

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  11. Olá Saimon
    Certamente. Uma pessoa bem informada consegue saber qual modalidade de risco é mais adequada ao seu perfil. Como você disse, não podemos esquecer o controle de risco.

    Olá Jônatas
    Fico feliz de ter sua presença ilustre no meu blog.

    Abraços

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