sábado, 14 de abril de 2018

Você está preparado para a próxima crise?

Há algum tempo atrás, quando a bolsa estava se arrastando por um longo período na casa dos 40-50 mil pontos, era prudente o pensamento de que o Brasil estava sofrendo um processo inescapável de venezuelização. Passando por uma profunda recessão, a sociedade estava desesperançosa com a crescente taxa de desemprego, inflação estourando o teto, taxa de juros astronômica, uma presidente que nem sabia se expressar e um processo de investigação política que tinha um forte cheiro de pizza. Pensando nisso, muitos investidores, quando podiam, alocaram seus recursos em bolsas estrangeiras, muitas delas em seu topo histórico, ou quando não tinham pique para isso, liquidaram suas posições na renda variável para alocar na renda fixa. Comprar dólar também estava em cogitação. 
 
Conforme o tempo foi passando, a presidenta passou por um processo de impeachment, a inflação despencou, a taxa de juros diminuiu, o desemprego estabilizou, a classe política passou a se sentir acuada por um aparente processo de desintoxicação, e a sociedade está esperançosa com a renovação política. Órgãos internacionais preveem aceleração econômica nos próximos anos e parte da população clama por um governo mais enxuto, com corte de órgãos e privatização de empresas públicas. Valores conservadores e liberais estão na moda. Depois que a bolsa atingiu a marca dos 70 mil pontos e a taxa Selic atingiu apenas um dígito, muitos investidores retomaram a coragem para voltar a investir na renda variável. O mercado em geral está mais esperançoso. Pode-se arriscar a dizer que há a possibilidade de conter um pouco de euforia no clima geral. Apesar de que não tenhamos chegado (ainda) ao ponto da revista Exame postar em cada edição um artigo falando sobre o maravilhoso mundo do mercado de ações, é perceptível uma movimentação de concentração maior na bolsa de valores brasileira.
Entretanto, para aqueles que estão ao encontro deste caminho, lanço a pergunta: Você está preparado para a próxima crise? A questão não é se ela virá, mas quando virá! A próxima crise é certa. Quais seus planos para ela? O que planeja fazer e quais indicadores você monitora? Quais decisões você tomará?

Longe de ser um anúncio de crise iminente, minha preocupação é em relação aqueles que estão alocando recursos na renda variável sem se preocupar com o plano B. Isso porque tão importante quanto entrar é saber como se mexer estando dentro ou até saber quando sair. Infelizmente percebo que boa parte dos investidores só se preocupam com a entrada.

Mesmo para aqueles que investem periódica e sistematicamente em ações de empresas lucrativas, é importante observar que empresas lucrativas na bonança podem tornar-se menos lucrativas durante a crise. Ou quem sabe essa fase pode representar um marco que transformará uma empresa de alta lucratividade para uma empresa endividada e recessiva. Sabendo-se que no histórico de grandes empresas normalmente há momentos em que elas passaram por períodos de maus lençóis, sendo posteriormente superados, é importante observar que um erro de interpretação pode fazer com que você desafortunadamente venda uma empresa que está passando por um problema temporário, ou então que você continue aportando em uma empresa que passou a ser um problema permanente. Quais são seus critérios para definir quais seriam os sinais de que uma empresa está começando a querer reverter seu desempenho? Quais são seus critérios para definir quais seriam os sinais de que uma empresa está provavelmente passando por problemas temporários? Você vai esperar a crise chegar para começar a pensar a respeito?  Se você investe baseado em comentários de fóruns que possuem uma lista TOP 10 das melhores empresas da bolsa, esperando que o clima geral deste fórum te diga quando começar a acender a luz amarela para uma ação, é melhor você começar a delimitar com mais detalhes sua estratégia.

Para aquele que possui uma reserva na renda fixa, desejando utilizá-la para tentar aproveitar os momentos de mercado depressivo, você já definiu critérios que determinam quais ações comprar e quando? Decidiu qual montante e em qual momento você utilizará sua reserva? Já decidiu o momento que você parará de aportar na renda fixa para dedicar os aportes na renda variável? Ou vai esperar o mercado tornar-se depressivo para começar a pensar a respeito? Ter uma reserva para aproveitar momentos na renda variável mas não saber utilizá-la é a mesma coisa que ter um preservativo mas não saber utilizá-lo na hora H. Ao negligenciar isso você passará por riscos inesperados ou quem sabe até poderá broxar, não fazendo aquilo que você tanto pensou em fazer.


As dicas acima parecem coisas simples de serem resolvidas, mas em toda crise a história se repete. Aqueles que se desesperam são justamente aqueles que estabeleceram porcamente um início, e não pensaram a respeito sobre um meio e um fim. O sujeito entra em uma operação sem olhar as vias de escape e sem estabelecer os critérios que o fizeram entrar. Na blogosfera mesmo há casos de pessoas que liquidaram suas ações justamente no olho do furacão de alguns anos atrás, alocando tudo na renda fixa. Há casos de pessoas que afirmavam que não se preocupavam com o preço da ação, mas no primeiro suspiro venderam tudo. Há movimentações para todos os gostos.


Para os investidores da bolsa, sabendo que a bolsa funciona em ciclos de bull and bear market, não seria agora o momento ideal para colocar estas questões de forma mais clara? Se durante a calmaria o investidor estabelecer critérios mais palpáveis, é provável que durante a crise ele terá maior sabedoria para saber se deve se movimentar e, em caso positivo, qual movimento fazer. É bom você pensar nestas questões, pois a história da bolsa mostra que aqueles que esperam as coisas acontecerem primeiro para depois tomar uma decisão acabam fazendo-as na base das emoções. E essa decisão costuma revelar-se como uma lição extremamente cara.

46 comentários:

  1. Reflexão importantíssima.

    Acho que a questão inicial talvez esteja numa avaliação da própria pessoa de :
    1) quantos porcento do patrimônio aceito perder nas baixas?
    2) relacionada à questão acima, quantos porcento do patrimônio quero colocar em RV?

    Por fim, o movimento de entrada na alta e saída na baixa sempre vai existir, o que leva a janelas de oportunidades para os que analisam com frieza e com olhos no longo prazo.

    Por essas questões não sou um adepto estilo Bastter de comprar e casar com a empresa vendo apenas o balanço da mesma numa única ocasião do ano. Empresas que estão retratando nos seus preços momentos de euforia do mercado para com ela ficam em preços a meu ver proibitivos (exemplo dos últimos meses de BBAS) e outras que possuem balanço enxuto e que têm perspectiva de um mercado futuro interessante no pós crise podem ter valores interessantes de entrada (eztc, sapr, …)

    Mas, e vc AdP? Usa indicadores para esses momentos? Como pensa?

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    1. Nobilíssimo Guardião,
      Particularmente não me preocupo com a baixa do preço da ação, mas sim o que afeta no seu balanço. O problema é que na maioria dos casos estes dois aspectos estão entrelaçados.
      Infelizmente certas pessoas tem demonizado a venda de ações, o que leva muitas pessoas a se desfazerem de papéis ruins muito tardiamente. Ou nem se desfazem. Tem gente segurando Eternit até hoje porque mudou de "sinal verde" para "sinal vermelho" através desta historinha de só se ver balanço anual, e que apenas um não é o suficiente. Muito fácil falar na teoria, mas a prática a história é outra.
      Meu indicador principal é o endividamento. Acredito que ele mostra com claridade quando uma empresa está mudando de posição. Dívida crescendo sem contrapartida nos lucros normalmente é furada. Foi o que me fez vender, por exemplo, Eternit nos 4 reais. Qualquer dia desses posso fazer uma postagem a respeito.
      Sobre transferência da renda fixa para variável, dependendo do que acontecer comigo até o final do ano que vem, terei que utilizar boa parte do meu dinheiro da renda fixa para gastos pessoais. Por isso planejo manter boa parte do meu dinheiro na renda fixa até lá. Só mexeria caso acontece algo muito obsceno, tipo uma crise ao estilo de 2008, kkkkk.
      Abraços

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    2. Retificando: trocar "sinal vermelho" para "sinal amarelo".

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  2. AdP, reflexão muito boa. Eu mesmo trabalho com a reserva. Já tive momentos com 50% negativo nos investimentos e usava a reserva e os aportes novos para comprar, mas não tenho um critério muito bem estabelecido para isso. Nem encontrei uma porcentagem ideal para essa reserva também. Quando tiver um tempo, me adiciona ali na lista de blogs.

    Abraço

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    1. Olá Sequoia, está adicionado.
      Não precisa ser valores exatos e ter tudo milimetricamente planejado pois o mercado é dinâmico e tudo muda muito rápido. Mas é importante delimitar alguns indicadores e regras básicas que podem dar ideia do que fazer pois, durante a crise, o instinto humano de sobrevivência nos direciona a ver coisas que não existem, ou ao menos exagerá-las, liquidando as ações em baixa.
      Abraços

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    2. AdP, realmente requer uma filosofia de investimentos. Pensar muito bem nos passos, para traçar uma estratégia e permanecer nela, conhecendo seus altos e baixos para que ela não seja abortada precocemente. Obrigado por adicionar ali. Sempre acompanho seu blog. Muito legal. Parabéns.

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  3. Eu gosto de diversificar e sempre tenho uma reserva financeira em RF;
    tento compor a carteira com boas empresas comprando-as a um preço justo;
    sendo assim uma caida da bolsa pode vir a ser uma boa oportunidade de compra nesses mesmos ativos ou em novos que estão no radar mas que ainda não entraram na carteira devido ao valuation não atrativo.
    O que percebo na bolsa (em alta ou baixa) é que não faltam ativos em oferta mesmo que somente para trade de medio prazo.

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    1. Pra quem gosta de garimpar na bolsa, sempre sobra alguma coisinha pra operar, rs.
      Abraços

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  4. Bom post para pensar. Eu achava que sabia de tudo, mas sempre tem coisa pra aprender. Tenho mais grana na poupança, eu estou fazendo a mudança aos poucos, o foda é que não tenho muito e dar o próximo passo quando se tem pouco é muito difícil, ainda bem que não tem só o seu blog, como a finansfera em si para ajudar. Um abraço!!!

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    1. De pouco em pouco a galinha enche o papo. Comecei o blog com 12 mil reais. Não tenho nenhuma fortuna, mas é um caminho que mostra que aos poucos se forma um patrimõnio.
      Abraços

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  5. Fala Adp,

    Excelente reflexão.
    Acho que para estar preparado para as crises e bonanças o investidor tem que estar com a carteira difersificada de maneira eficiente.
    O que vejo aqui nos blogs de finanças são vários investidores com um peso muito grande de sua carteira em ações. Claro que a decisão de investimentos é pessoal e vai do perfil do investidor, mas acho que no perfil dos blogs que leio onde os investidores possuem menos de $1 milhão, existe um peso muito grande em rv e quando essa crise vier, muitos irão quebrar. A renda fixa é bastante negligenciada pelos blogs que acompanho. Já comentei em outros blogs sobre CRIs e CRAs com taxas excelentes e com garantias tb. Mas mesmo ativos como CDBs que conseguimos encontrar pagando 130% ou 12% fixo são excelentes opções De investimentos mesmo com a Selic nos valores atuais. Eu já perdi muito dinheiro em RV. Hj tenho um patrimônio de aproximadamente $4 milhões sendo que 80% está em rf. Isso me dá tranquilidade. O que vc acha da rf Adp ?

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    1. Olá anon,
      Concordo com você sobre a diversificação eficiente. Entretanto, infelizmente alguns confundem "eficiente" com "excessiva".
      Sobre a renda fixa, eu era um destes que a negligenciava. No entanto, comecei a fazer um movimento de criar um colchão nela e pretendo sempre ter alguma coisa lá.
      Na minha opinião o investidor tem que investir em algo que o deixa confortável. Eu raramente recrimino alguém pelo caminho que ela está seguindo. Acho sua estratégia de 80% na renda fixa formidável, e caso haja uma crise que derrube a bolsa, você terá muito poder de fogo para aproveitar o momento.
      Abraços

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  6. Toda crise é passageira, eu vejo como bons olhos para boas oportunidades de compras em RV, quem tem equilibrio emocional supera a crise no lucro!

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  7. Deixo sempre uma reserva em renda fixa com liquidez diaria para as oportunidades, com critérios já previamente escolhidos, procuro escolher ações mais defensivas, conversadoras, empresas que lucrem tanto com nos tempos bons como nas crises.

    Abraço e bons investimentos.

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    1. Olá DIeL,
      É assim também que faço. Invisto em empresas não cíclicas, preferencialmente com altas margens e baixo endividamento.
      Abraços

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  8. A parte mais importante é acompanhar os peixes grandes, olhar o fluxo e o volume financeiro movimentado por eles, se eles estão comprando ou vendendo, análise técnica ajuda nisso também, o que pode atrapalhar é justamente o "de repente" na bolsa, fato que acompanhei em 2001 nas torres gêmeas, 2008 sub-prime e 2017 no jbs e operação carne fraca, foi um belo gap na abertura do pregão, vários traders perderam a operação pois não aconteceu uma violinada, foi pior, não pegou os stops, a abertura foi abaixo da saída das operações. Mas de qualquer forma, é no pânico e nas crises que moram as oportunidades.
    Como meu guru sempre diz: "é nas crises que o dinheiro troca de mão", e nesses períodos que as coisas estão acontecendo acredito que vem uma consolidação na bolsa, ou seja, vamos andar de lado, uma hora fica rico, outra hora fica pobre hahaha.
    Mas atenção, o momento não está propício para compras, eu vejo só a sardinhada comprando, e a movimentação de capital estrangeiro meio indecisa, é muito barulho e eles também sabem da regra do jogo, comprar na alta e vender na baixa.
    As oportunidades não estão muito favoráveis, na verdade, a incerteza é devido a nossa política interna, não sabemos qual vai ser o rumo do nosso país, se vamos ter um presidente pró mercado ou não, portanto nossa bolsa anda de lado. Claro não esquecendo da economia mundial, EUA, China e Rússia, caso entrem em conflito, esperem por uma bela queda nas bolsas mundiais.
    Mais importante é ter em mente, você se prepara para o furação enquanto anunciam o grande evento, tenta sobreviver na tempestade, e faz as compras quando todos estão fragilizados com a queda.

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    1. Com todo respeito anon, mas não concordo muito com sua ideia de "acompanhar os peixes grandes" não. Normalmente isso não dá certo.
      Abraços

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  9. Gostaria de convidar a participar do primeiro subreddit brasileiro sobre FIRE, se puder compartilhe alguns dos seus artigos por lá, acho que será um lugar ideal para trocar ideias.

    https://www.reddit.com/r/FIRE_BRASIL/

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    1. O segundo. O primeiro foi esse: https://www.reddit.com/r/IFBrasil/

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    2. Aproveito para divulgar também o fórum do ClubeInvest Boards, que é o fórum onde participo.
      http://clubinvest.boards.net/
      Abraços

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  10. Ola ADP.

    Cara estava procurando traçar uma estratégia melhor justamente neste quesito ( estava pensando nisto a semana toda kkk ) ... sigo também a questão de comprar empresas com baixo endividamento , margens altas , crescimento recente ... vou ainda completar 2 anos de investimentos na bolsa e uma coisa que ocorreu recentemente comigo em FESA4 me fez refletir ... comprei a ação na crise por volta de 8 reais , e ela no começo de janeiro deste ano chegou a ficar a 27 reais .... neste ultimo mes teve uma forte queda e esta por volta dos 18 reais .... ainda estou no lucro , mas se tivesse saído nessa alta grande , poderia ter mais RF e ter recomprado uma quantidade bem maior de papeis ( ou ate mesmo vendido , comprado a mesma quantidade e a diferença comprar outro papel ou manter em RF ). Atualmente tenho aportado somente em RF , mas ainda nao tenho uma estratégia definida para estas questões.... acha que somente uma simples alocação de ativos já resolveria ou teria algo mais a fundo ?

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    1. Olá Ramon,
      Mas como você iria saber que ela, após bater 27, iria cair para 18? E se você tivesse vendido nos 27 e ela fosse para os 34 reais? Não se culpe pelos movimentos não feitos. Operar olhando o passado é uma armadilha. FESA4 na minha opinião é um empresa excepcional. Só não tenho por ser cíclica. Fora isso atende todos os meus critérios.
      Sobre a alocação, é uma estratégia interessante, mas tem que ver que às vezes ela te manda aportar em uma empresa que não está boa, que normalmente é a que mais cai. Se você seguir cegamente a alocação, pode ficar no preju.
      Abraços

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  11. Meu caro..
    Tudo muito óbvio. Tudo muito óbvio.
    O presente já está escrito faz ao menos 5 anos...
    E da mesma forma os próximos 5 já estão escritos.
    A questão é: quem está lendo esse livro?
    Abração

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  12. Este ultimo chart diz muito, e olha que já passou-se alguns meses desta realidade retratada. EUA já está começando a cair enquanto o Brasil ja subiu meia rampa.

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    1. Grande AA40,
      Exatamente. Tenho essa imagem guardado há meses nos meus arquivos e as bicicletas já avançaram um pouco de lá pra cá.
      Abraços

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  13. ADP, ótimas reflexões. Você não pensa em investimentos no exterior?

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    1. Olá anon,
      É um caminho interessante, sem dúvida. Entretanto, não cogito movimentos deste tipo até o final do ano que vem.
      Abraços

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  14. Se a crise vier a gente compra mais e barato.... com o tanto q a renda passiva não desabe vai ficar tudo bem.

    Sr. IF365

    Blog IF365 | Acompanhe meus últimos 365 dias antes da IF e Aposentadoria Antecipada
    https://srif365.wixsite.com/if365

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    1. Olá SrIF365,
      Não sou muito fã de renda fixa na formação do patrimônio, mas isso é questão do meu perfil. Aquele dinheirinho pingando periodicamente também é estrategicamente interessante.
      Abraços

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  15. Olá ADP, excelente reflexão.

    Como visto em um comentário seu mais acima, também me preocupo com empresas que aumentam seu endividamento sem com isso aumentar seus lucros. Até por isso procuro ter em carteira empresas com divida liquida negativa.

    O sinal de alerta acende assim que vejo alterações nesse quadro. Não que eu venda de imediato, não, procuro saber o que a empresa está pretendendo. Caso não sinta seguro, vendo. Caso contrário, mantenho posição sem aportar mais.

    Como não é minha primeira vez na bolsa, tenho um pouquinho mais de experiência para lidar com a crise, pois já sai da bolsa para ficar totalmente na renda fixa exatamente como conta no post.

    Assim, minha estratégia hoje é;

    Não ultrapassar a alocação 50/50 renda fixa e renda variável. Sendo que admito chegar em 60/40 rf e rv.

    Adp, se puder me adicionar em seu blogroll ficarei grato. E também, espero por uma visita sua lá em meu blog.

    Abraço!

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    1. Olá Investidor Inglês, está add.
      Endividamento é, na minha opinião, o primeiro sinal de que as coisas não estão indo bem. O problema é que normalmente as empresas e os próprios acionistas justificam o endividamento, sempre tendo algo por trás. Lembro-me de dois casos.
      Um deles é o caso emblemático da Petrobras. Os acionistas defendiam fervorosamente sua dívida justificando os investimentos no pré-sal.
      E o caso espalhafatoso da OIBR, que pegava dinheiro emprestado par apagar dividendos. Os acionistas gostavam dessa ideia.
      Abraços

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  16. Eu pretendo usar alocação de ativos pra me dar o sinal. Se RV baixou muito, vou investigar.

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    1. Olá vagabundo,
      Concordo com você e acho que alocação não deve ser usada de forma cega.
      Abraços

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  17. AdP, sua provocação é importantíssima! O mais comum são os investidores investirem em meio às sensações do momento, seja políticos ou empresas da modinha. Mas não possuem um planejamento mais concreto.

    Na minha opinião, a estratégia que promove um menor número de erros financeiros decisivos é a alocação de ativos. E olha que muitas vezes, quem comete menos erros é quem possui o melhor rendimento a longo prazo. Eu tenho usado a estratégia há anos e até agora não tenho nada a reclamar dela. Apesar de seguir vieses é algo tentador, a AA é uma forma de racionalizar o processo de investimento, deixando claro que somos mais falíveis do que queríamos aceitar em acertar sempre o c* da mosca.

    Eu já escrevi no blog como que eu gerencio minha alocação de ativos, acredito que vc já deva ter lido por lá!

    Grande abraço!

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    1. Olá André,
      O investidor quando está na bolsa parece que fica mais sensível às notícias, que são na sua maioria meros ruídos. Hoje aquela questão da Rússia-Crimeia é irrelevante para o mercado mas teve gente fazendo na época movimentações. Isso é só um exemplo dentre inúmeros.
      AA é um método interessante, mas na minha opinião possui uma falha enorme que é não considerar qualitativamente os ativos, logo é necessário também o acompanhamento por parte do investidor, o que pode levar a ele não seguir o próprio método.
      Abraços e sucesso

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  18. òtima análise, sempre aprendendo aqui no seu blog !!! parabéns !!

    http://stiflerpobre.blogspot.com.br

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  19. Como diz o Bastter, coloque 50 % em Renda Fixa e 50 % em ações de boas empresas. Se a bolsa cair, compre mais ações com o dinheiro novo. Simples.

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    1. Ou seja, ele recomenda olhar recorrentemente preço e usar o dinheiro para aproveitar o mercado na queda.

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  20. O problema aí na alocação de ativos é todo psicológico de suportar períodos de queda por anos, questão de confiança. Eu estou há quase 5 anos 100% numa carteira de ações B&H diversificada (até demais c/ 25). Quando conheci e comecei B&H estipulei que ficaria 10 anos 100% em ações, nos primeiros 3 anos só caía e consegui ter sangue frio de continuar investindo mesmo com "prejuízo" (na marcação a mercado). Eu fiz muitos estudos de LP e acho que adquiri confiança total nas ações após eles. Minha ansiedade era de ter logo uma carteira grande e diversificada (atualmente estaria no lucro se vendesse tudo, bateria CDI fácil e com folga). Até hoje não consegui definir bem os critérios de saída (e só me desfiz até hoje de uma empresa apenas). Meu foco é no crescimento dos proventos anuais e isso é extremamente lento, mas estimulante quando se verifica os % de crescimento mesmo em meio à pior crise econômica da nossa história. Após os 10 anos (ou se eu achar que antes a nossa bolsa está em bolha) meu plano é começar a diversificar com FIIs (tipo 30% para FIIs e 70% ações, dividindo futuramente entre Brasil e EUA), nada com "Perda Fixa", que para mim só serve para reserva de emergência. Creio que a tranquilidade também depende de um padrão de alguns bilionários que partiram do zero, algumas pessoas que conhecemos pessoalmente e atingiram a IF ou mesmo os exemplos da blogosfera de finanças: buscar uma vida de baixo custo nessa caminhada.

    Acho que sou um holder clássico (raiz) porque preparei minha mente para isso e não tenho dúvidas de que dará muito certo. Eu estou preparado para a próxima crise e as outras seguintes, para as euforias/bolhas que virão também. Pode cair 60% nos preços que vou comprar o máximo que eu puder e não vou me abalar. (aposto que os proventos continuarão subindo)

    Ass.: holder futurista

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    1. Olá Holder,
      Alocação, assim como qualquer estratégia, é muito mais fácil falar do que fazer nos momentos de calor. No entanto, arriscaria dizer que para algumas pessoas alocação seja até mais maléfica, pois elas entregam tanto sua estratégia aos percentuais que acabam deixando de lado a parte qualitativa das empresas. Daí, se em um momento a empresa preferida dele cai de 20 para 4 reais, ele, como não conhece muito bem a empresa, poderá não ter o sangue frio suficiente para seguir na estratégia, ou então a empresa ficou uma porcaria e ele vai aportar na empresa porcaria porque a planilha está indicando comprá-la.

      "nos primeiros 3 anos só caía e consegui ter sangue frio de continuar investindo mesmo com 'prejuízo'"
      Passei por isso aqui no blog e você não tem ideia do que aguentei, kkkkk. Anos e anos a carteira toda vermelhinha. Fora que de vez em quando alguém caçoava.

      Que bom que você está firme na sua estratégia.
      Abraços e obrigado pelo comentário.

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  21. Parabéns pela publicação, foi uma ótima leitura e o conteúdo é sensacional. Abraço!

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