sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cuidado com a inflação


Há muitas definições de inflação, mas ela nada mais é do que o aumento dos preços ao longo do tempo, fazendo com que a moeda perca seu poder de compra.
O Banco Central tem como missão “Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente”. Para que esta missão seja cumprida, o BC deverá utilizar sua influência para manter a inflação a níveis adequados.  O índice de inflação que o Banco Central utiliza é o IPCA. Este índice é considerado o índice oficial de inflação do país. Ele mede a variação dos custos ao consumidor, sendo medido mensalmente pelo IBGE.

Desde 1999 o BC trabalha com o regime de metas de inflação. Atualmente o centro da meta é atingir uma inflação de 4,5% ao ano. Infelizmente, esta este patamar não está em linha com o padrão dos países desenvolvidos, mas é muito melhor que os níveis anteriores ao Plano Real. Por que não ter uma meta de 0% ou níveis negativos, gerando a deflação? Porque um país com preços estagnados ou deflacionados possui uma economia também estagnada, onde as mercadorias sobram por falta de consumidores. Por isso uma pequena inflação é desejada.

Mesmo assim, uma inflação de 4,5% continua sendo danosa à sociedade. Veja por exemplo a tabela abaixo:



Esta tabela mostra na primeira linha o preço inicial de 4 produtos. Cada linha subsequente mostra os efeitos da inflação ano após ano.

Independente do produto, em apenas 16 anos seu preço será dobrado! De acordo com a tabela, em 2028 veremos Coca Cola de 2 litros a 10 reais, o litro da gasolina a 6 reais e a cesta básica a 600 reais. Dezesseis anos depois, tudo será dobrado novamente. Mas a situação pode ser pior.

O centro da meta do BC é uma inflação de 4,5% ao ano. Entretanto, a instituição tem uma margem de 2% para cima ou para baixo. Ultimamente o BC vem dando claros sinais de que está trabalhando com o topo da meta, ou seja, 6,5% ao ano. Como ficariam então os preços dos produtos?



Ao invés de um curto prazo de 16 anos, uma inflação de 6,5% ao ano dobraria o preço das coisas em apenas 11 anos! Em uma Copa do Mundo a cerveja estará 30% mais cara. Na outra Copa custará 65% a mais. Finalmente, na terceira Copa do Mundo, a cervejinha estará custando o dobro e alguns trocados. Rápido, não? Tem como piorar? Talvez sim.

Com certeza muitos de vocês que são financeiramente educados já se perguntaram até que ponto o IPCA reflete a inflação real. Vira e mexe a composição deste índice é alterada. Será que estas alterações visam a refletir o dia a dia das pessoas, ou visam a mostrar que o governo está bem na fita? Na teoria ela é de 6,5%, mas e na prática? Será que é menos do que isso? Ou mais que isso?

Independentemente de qual for realmente a inflação, deixarei a título de curiosidade a tabela abaixo, que mostra em quanto tempo um determinado produto dobrará seu preço em diferentes cenários de inflação. Há um país de referência  ao lado de cada inflação anual.



Observem que quando a inflação está em pequenos valores, qualquer pequena diferença causam impactos significativos. O BC vem trabalhando com a banda alta da tolerância, que é uma inflação de cerca de 6%, o que dobraria os preços de 12 em 12 anos. Caso fosse trabalhada a banda inferior, que é de cerca de 3%, os preços só dobrariam em 24 anos.

Em qual cenário é mais confortável investir, onde os preços dobram em 24 anos ou em 12 anos? Seja qual for o investimento escolhido (ações, títulos, ouro, FII, poupança, empreendedorismo, etc),  uma situação de baixa inflação é desejável.



A verdadeira meta do investidor não é simplesmente acumular ativos. Além de acumulá-los, o investidor deverá garantir que seus ativos sejam preservados. Como a inflação está diretamente em oposição à preservação do patrimônio, ela é considerada a pior inimiga do investidor. Corroendo dia a dia o patrimônio, ela age de maneira silente, quase invisível. Muitas vezes esquecida, a inflação pode até ser ignorada, mas seus efeitos são visíveis. Quanto maior a inflação, maior o fluxo de caixa demandado. Se o rendimento do patrimônio não for suficiente para garantir este fluxo de caixa crescente, o investidor estará em sérios apuros. Por causa disso, deve ser prioridade a inclusão dos efeitos da inflação no planejamento de cada investidor.

25 comentários:

  1. E da-lhe TD atrelado ao IPCA.

    Abracos!

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    1. Apesar de não serem imunes, eles oferecem boa proteção.

      Abraços

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  2. Como escrevi na área de comentários do meu último post:

    O pequeno investidor tem focar em dois objetivos, por ordem de importância:

    1º) Vencer a inflação. Só de fazer isso, já é um grande passo!

    2º) Vencer o CDI. Aqui, se o mesmo deseja correr riscos.

    []s!

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    1. Vencer a inflação é relativamente fácil.

      É só aplicar tudo no TD atrelado ao IPCA.

      Mas... e se o Governo não honrar?

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    2. Bom, aqui no Brasil o TD é considerado como livre de risco...

      Mas a maioria dos brasileiros ainda coloca o dinheiro na Caderneta de Poupança, que pela regra atual já começa a perder para inflação...

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    3. Eu vi quando você abordou estes dois objetivos no seu blog e o Troll complementou com mais um, que é a simplicidade.
      Concordo totalmente.

      Abraços

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  3. Olá ADP!

    Não gosto do IPCA para minhas análises pessoais.
    Minha opinião toda sobre isto está neste post:

    http://investidordefensivo.blogspot.com.br/2012/05/calcule-sua-inflacao-pessoal.html

    abs!

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    1. Essa sua postagem é muito legal. Concordo com a medida de inflação pessoal.

      Abraços

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    2. Sigo a mesma linha do ID, aliás, minha inflação pessoal embora eu não consiga mensura-la, é bem inferior ao IPCA.

      Pelo sim, pelo não, acho melhor usar o IPCA nos cálculos. Por ser meu primeiro ano de investidor, ainda não sei o método que usarei, provavelmente corrigirei as cotas das despesas anualmente para sempre ter valores reais a serem atingidos com o fluxo de caixa da renda passiva.

      Abraço!

      Corey

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  4. Importante considerar a inflação, até mesmo para atualizar o valor dos aportes. Fiquei uns cinco anos sem fazer isso, quando fui ver, meu aporte estava 30% menor do que devia. Aí tive que sair atualizando tudo.

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    1. Entendo. No meu caso eu aporto o máximo possível, sem comprometer meu estilo de vida. Nem sempre poderei atualizar.

      Abraços

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  5. Ótimo post AdP,

    A inflação é aquele ditado: O mal necessário.

    Uta!

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    1. Na verdade, tanto faz a inflação ou a deflação. Uma inflação cavalar destrói uma economia, assim como uma deflação tb.

      Ter uma pequena deflação ou uma pequena deflação é interessante, pois na verdade estaria próximo do equilíbrio teórico na curva LM.

      Não vejo problemas em ter uma PEQUENA deflação...

      []s!

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    2. *Ter uma pequena inflação ou uma pequena deflação(..)

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    3. Sim, uma pequeno deflação até o Brasil consegue em ocasionais meses. Mas uma deflação prolongada 9por anos) é danosa. Não sou um profundo conhecedor do assunto, mas pelo menos é o que eu leio.

      Abraços

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  6. Realmente, temos que ficar de olho para ver se não estamos perdendo dinheiro.

    Ótimo artigo.

    Abraços!
    Ganhando Muito

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  7. ADP,
    ótima reflexão.. Talvez seja bom se também conseguissemos atualizar os aportes..
    o aposentado falou certo..se ficarmos, por 10 anos, aportando 1000 reais, os mil de hoje, não serão mil daqui a 3 anos, por exemplo..

    Enfim.. mais um obstáculo..que vamos vencer!!
    Abraços!

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    1. Jovem Investidora, o que eu faço é definir o montante de aporte sendo um percentual do salário, assim se tiver aumento, o aporte também é aumentado, o que geralmente acontece anualmente pelo dissídio. Se não acontecer, é um incentivo para buscar negociação com a empresa e pelo menos tentar um aumento equivalente a perda do poder de compra gerado pela inflação, e também investir em novos conhecimentos para buscar um emprego mais rentável.

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    2. Pois é. Minha ideia é impor 10% ao ano - além de um percentual sobre a inflação - nos aportes mensais.

      Mais do que vencer a inflação (e o CDI), temos que aumentar nossos ganhos e aportar cada vez mais

      =]

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  8. Parabéns alemdapoupanca pelo blog e continuidade na postagem, são artigos de ótima qualidade.

    Fiquei pensando sobre a relação entre a desvalorização da nossa moeda frente ao dólar e a inflação. Se considerarmos que a inflação nos EUA é menor que a nossa, com o passar do tempo nossos reais irão se desvalorizar cada vez mais frente ao dólar.

    Nesse caso, a compra de ações através da abertura de conta no exterior, e compra de ADRs poderia ser uma medida de hedge frente a inflação, no entanto temos uma limitação grande de empresas que ofertam ADRs, mas também abre um amplo espectro de empresas de outros países para investir. Isso dependeria também de conhecer os procedimentos para um brasileiro abrir conta em um banco americano sem ter o social security number, nem sei se é possível.

    Eu tenho conta de investimento nos EUA, da época que ainda morava por lá, e percebi uma relação inversamente proporcional sobre aumento da cotação do dólar em relação ao aumento na cotação das ações brasileiras. Talvez por conta de termos um número grande de investidores estrangeiros investindo no Brasil, o que faz o volume de dólares entrante aumentar a valorização da nossa moeda, e o movimento contrário desvalorizar.

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    1. Seu argumentos são plausíveis e tem muito sentido. Seria interessante fazer algumas simulações com os dados passados para ver se realmente vale a pena estas operações.

      Abraços

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  9. Bom post, verdade a inflação tem um papel significativo na rentabilidade de um investimento, não basta apenas vencer o CDI, ter que apurar a rentabilidade liquida e a inflaçao tem um peso considerável. Boas opcoes sao as NTNBs comparativamente a atual caderneta de poupanca.

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  10. Eai ADP! será q nao está na hora de comecar a acumular ELET3/6 no portfolio, pois pelo visto a manada entrou em cena e o papiro ja ta batendo nos 70% d queda no ano, é hr de rever pois a empresa tm um patrimonio gigantesco, porem os lucros ainda nao estao na sua altura...

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    1. Por enquanto não estou nem um pouquinho emocionado com essa queda da ELET3/6. Para mim patrimônio é pouco importante (repetindo, essa é minha opinião), e o importante são os lucros. Se ela realmente cair para um patamar de 1 real como ouvi dizer, talvez eu entre depois de uma boa análise, mas bem pequeno.

      Abraços

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  11. Lembro bem dos efeitos da Hiper Inflação......

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