quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Simulação de compras periódicas – PIBB11

A história não pode ser esquecida, pois através dela os investidores evitam a repetição dos erros que foram cometidos e aprimoram suas estratégias através dos acertos encontrados. Nem sempre é preciso errar para aprender. Sábio é aquele que aprende com o erro dos outros.

Nesta série simulamos compras periódicas de empresas com perfis diferentes.

A primeira simulação foi da Embraer, representante nacional de produção de aeronaves, postagem que poderá ser acessada clicando AQUI. Acompanhamos a história do Zé Teimoso, que insistia em comprar ações da empresa. No final das contas, este investimento apresentou um resultado péssimo, menor do que a poupança, pelo menos no período estudado.

A segunda simulação foi da Souza Cruz, tradicional fabricante de cigarros, postagem que poderá ser acessada clicando AQUI. Vimos que Zé Abastado era mais informado que seu primo, obtendo resultados espetaculares. Poucas ações da bolsa retornaram tanto para o acionista.

A terceira simulação foi da Companhia Siderúrgica Nacional, maior indústria siderúrgica do Brasil e da América Latina. Sua performance na bolsa brasileira foi marcada por um período de glória e outro de danação. Vimos que o investidor comprou a ação a preços bem diferentes, uns bem abaixo e outros bem acima do preço atual. Sua postagem pode ser acessada por AQUI.

A quarta simulação foi da Eternit, líder nacional no mercado de coberturas e tradicional pagadora de dividendos. Através de sua simulação, que poderá ser acessada por AQUI, vimos que o investidor obteve um retorno respeitável principalmente devido aos proventos distribuídos.

Com o objetivo de transformar esta série de compras periódicas em algo além do que uma simples simulação, seria interessante estudarmos o comportamento de ativos que possuem características.

O ativo a ser analisado não é uma empresa, mas um ETF. Exchange Traded Funds são fundos de investimento que buscam refletir um determinado índice da bolsa. Estes fundos possuem cotas que são negociadas em bolsa de valores. Uma lista de ETF pode ser acessada por AQUI.

Pesquisando referido link, podemos perceber que o ETF mais antigo é o It Now PIBB IBrX-50 (PIBB11). Segundo a Bovespa:
“O IBrX-50 é um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica composta por 50 ações selecionadas entre as mais negociadas na BM&FBOVESPA em termos de liquidez, ponderadas na carteira pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação. Ele foi desenhado para ser um referencial para os investidores e administradores de carteira, e também para possibilitar o lançamento de derivativos (futuros, opções sobre futuro e opções sobre índice). O IBrX-50 tem as mesmas características do IBrX – Índice Brasil, que é composto por 100 ações, mas apresenta a vantagem operacional de ser mais facilmente reproduzido pelo mercado.”

A composição atual do IBrx-50 poderá ser acessada por AQUI.

Como a data de sua listagem é 26/07/2004, Veremos como estaria hoje um investidor que comprasse periodicamente as cotas deste ETF durante seus quase 10 anos de existência.

Nesta simulação adotaremos as seguintes regras:
-A simulação é iniciada 26/07/2004, terminando no primeiro dia útil de 2014.
-O aporte mensal será o equivalente a R$1000,00 de 2013. Então, para períodos anteriores, haverá um ajuste de acordo com a inflação. Por exemplo, o aporte mensal de no ano 2005 foi de R$682,59. Esta medida de ajuste pela inflação foi realizada com o propósito de manter o mesmo poder de compra para todos os períodos.
-O investidor aporta mensalmente, mas faz compras trimestrais. Logo, ele acumula dinheiro por três meses para depois comprar.
-O investidor mandou seu corretor comprar pelo preço de abertura do primeiro dia de cada trimestre.
-A cotação utilizada na simulação é a cotação de época, não ajustada.
-O investidor também decidiu com seu corretor para que ele compre o máximo de cotas de PIBB11 possível, utilizando seu dinheiro em caixa.
-O corretor disse que será cobrada uma comissão de apenas 0,5% sobre o valor total de cada compra.
-Todos os dados utilizados para a simulação foram retirados da Bovespa.

Após realizar a simulação de compra, chegaremos a tabela abaixo, que resume o que aconteceu em cada ano. A "Cotação inicial" é a cotação de abertura do primeiro dia útil de cada ano, com exceção do ano de 2004, que contém a abertura do dia 26/07/2004. A "Quantidade de ações final" demonstra quantas cotas o investidor teria no último dia útil de cada ano. Como estamos falando de cotas de ETF, não há distribuição de dividendos para ser contabilizada.



Conclusão
Nosso investidor terminou a simulação com 1.398 cotas, cada com o preço de R$87,95 (preço de abertura em 02/01/2014) e com um caixa de R$52,70. Logo, ele tinha R$123.006,80 de patrimônio.

Ele aportou um total de R$93.382,55 em todo o período.

Pela Taxa Interna de Retorno (TIR), o rendimento médio que nosso investidor obteve com as cotas de PIBB11 foi de 5,6% ao ano, o que representa um rendimento médio mensal de 0,45%. Este cálculo não considera o imposto de renda por uma possível venda de cotas.

Se ele investisse apenas 1.000 reais em 26/07/2004, teria comprado 36 cotas, considerando os custos. Estas cotas reunidas com o caixa representariam no final da simulação um patrimônio de R$3.188,97, equivalendo a um rendimento de 12,3% ao ano, ou 0,97% ao mês, pela TIR.

A simulação fechou com o cota no preço de mercado de R$87,95. O preço médio de nosso investidor foi de R$66,76. Caso resolvesse vender, ele pagaria um imposto de renda de 15% sobre o lucro, ou R$3,17 por cota, ou um total de R$4.431,66. Caso vendesse, sua rentabilidade seria de 4,8% ao ano, ou 0,39% ao mês, pela TIR.

Esta postagem é um oferecimento ao colega Investidor Defensivo:


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30 comentários:

  1. Excelente postagem! Por incrível que pareça perdeu até para a poupança! Por um tempo pensei em começar a investir em ações partindo do ETFs (PIBB, BOVA, etc), mas depois de ler blogs como este, cheguei a conclusão que seria melhor aplicar diretamente nas ações.

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    1. Realmente, PIBB11 não desempenhou bem. E os outros fundos possuem pouco tempo de vida para chegarmos a alguma conclusão.
      Abraços

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    2. Creio que um bom para análise seria o DIVO, quanto tempo tem ele?

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    3. Seu início é recente, em 31/01/2012

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    4. Apesar do DIVO11 ser sempre muito lembrado não esqueçam que o GOVE11 performa melhor que ele.

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  2. "..Exchange Traded Funds são fundos de investimento..."

    Não seria "..Exchange Traded Funds são fundos de índice..."

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    1. Olá anônimo,
      "Fundo de índice" é o tipo do fundo, mas não seu conceito. Outros exemplos de tipos são "Fundos Imobiliários", "Fundos multimercado", "Fundos Cambiais", "Fundos de Ações" e "Fundos de Renda Fixa". Todos estes fundos são fundos de investimento, possuindo regulamento e Assembleia Geral de cotistas.
      Abraços

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    2. ETF não é fundo de investimento

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    3. Conhecidos também como ETFs (Exchange Traded Funds), são fundos de
      investimento que visam refletir as variações e rentabilidade de um índice de referência
      (índice subjacente). É constituído sob a forma de condomínio aberto e suas cotas
      são negociáveis em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. É um tipo de
      investimento relativamente novo no Brasil, mas que vem registrando um crescimento
      constante no volume de ativos.

      Fonte:Livro Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro - Comissão de Valores Mobiliários

      Abraços

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    4. Matou a Pau em AdP... heheh

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  3. Olá, AdP

    Parabéns pelo blog. Tenho aprendido muito por aqui.

    Bem, peguei os papeis mencionados no seu artigo e pedi para o Google Finance plotar um gráfico desde 2004, quando foi criado o PIBB11.

    Os resultados mostram que o PIBB11 perde somente para CRUZ3, veja:

    http://goo.gl/yr7Xe0

    Como explicar?

    Abraço,
    alsouza

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    1. No Google Finance, clicar em "All" para ver o Zoom total.

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    2. nao tá funcionando o link

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    3. Muito simples. Minha postagem é sobre compras constantes, enquanto o gráfico não.
      O ganho que o gráfico mostra é referente apenas a data inicial, como se o investidor fizesse um aporte único naquela data e nada mais.
      Mas para quem comprou periodicamente, que é mostrado nesta postagem, percebe-se que foi um mal negócio. A cota subiu entre meados de 2004 e 2008, e de lá para cá ela andou de lado, não havendo ganho algum para o investidor. O investidor ficou aportande durante esse tempo e não obteve retorno.
      Sobre as outras empresas, se você ler as postagens, as datas iniciais são diferentes de 2004. Além disso, as compras mensais levam em consideração o reinvestimento dos dividendos. Está bem explicado lá. Se você quer entender, pegue os cotações de negociação de época no link abaixo:
      http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/cotacoes-historicas/FormSeriesHistoricas.asp

      ...pegue os dividendos de cada período e aplique um aporte periódico em cada período. Você perceberá que isso é um pouquinho mais complexo do que visualizar o gráfico de uma ação.

      Abraços

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    4. "Além disso, as compras mensais levam em consideração o reinvestimento dos dividendos."

      Os gráficos das ações no google finance já são ajustados por dividendos, então o reinvestimento dos dividendos já está contemplado.

      Fiz o comentário, pois fiquei com a impressão de que você quis dizer que o rendimento das ações seria melhor do que o gráfico expressa, porque teria ainda que somar os dividendos, o que é errado.

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    5. Olá Lucas,
      "Os gráficos das ações no google finance já são ajustados por dividendos, então o reinvestimento dos dividendos já está contemplado."
      Ser ajustado por dividendos é diferente de reaplicar dividendos. O ajuste faz um desconto histórico, enquanto a reaplicação de dividendos permite comprar mais ações, que gerarão mais dividendos. Para entender melhor, entenda que o ajuste dos dividendos é como se o dividendo ficasse na conta parado, não reaplicado. Isso faz diferença.

      "Fiz o comentário, pois fiquei com a impressão de que você quis dizer que o rendimento das ações seria melhor do que o gráfico expressa, porque teria ainda que somar os dividendos, o que é errado."
      Como eu disse, é muito diferente comparar o rendimento de um gráfico com compras periódicas de ações.

      Abraços

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    6. "Para entender melhor, entenda que o ajuste dos dividendos é como se o dividendo ficasse na conta parado, não reaplicado."

      É exatamente o contrário. O ajuste de dividendo faz presumir que no dia ex-dividendo um valor idêntico ao que vai ser recebido como dividendo (isso porque o dividendo mesmo só vai ser pago semanas ou meses após o dia ex) seja usado para comprar mais ações e assim manter o valor da carteira inalterado. Estou falando de uma carteira sem aporte novo, fazendo compras apenas com o dinheiro do dividendos.

      Caso os dividendos não sejam reinvestidos no dia ex e mantidos numa conta parada, o rendimento total da carteira (em ações e na conta) não vai bater com o rendimento informando pelo gráfico. Exemplo, se o papel foi comprado a 10 e depois de 2 anos vale 20, com vários dividendos pagos nesse período, a carteira só vai ter dobrado de valor (só com o capital inicial e sem aporte novo) se os dividendos tiverem sido reinvestidos no dia ex e por valor igual ao do fechamento do dia anterior já ajustado.

      Faça o teste de calcular o rendimento de uma carteira (sem custo de corretagens) com uma ação pagadora de dividendos sem que você reinvista o dividendos e compare com os valores dos gráficos. Se o preço da ação tiver subido, o rendimento da carteira total (ação e conta) vai ser menor que o do gráfico, mas se a ação tiver caído, o valor da carteira total vai ser maior. O rendimento da carteira total só vai ser igual com o gráfico se houver o reinvestimento do dividendo, indiferentemente se o preço da ação subir ou cair.

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    7. Pelo que sei os índices funcionam assim, mas o gráfico de uma ação não. Vou fazer o teste sim.
      Abraços

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  4. Belo Estudo AdP !!!! adoro essa série é muito elucidativa, realmente o resultado foi fraquíssimo !! rsrs realmente dividendos fazem toda a diferença com o passar do tempo !! Abraços e Parabéns !!

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  5. Olá AdP, li seu blog quase inteiro depois que o descobri...muito obrigado por me ajudar em várias decisões...
    Estou espelhando um pouco a minha carteira na sua :)

    Abraços,

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    1. Olá Toguko,
      Seja bem vindo ao blog.
      Sendo sincero com você, eu fiquei um pouco preocupado quando você disse que está fazendo um "espelhamento" de parte de minha carteira. Espero que você tenha analisado cada ação. Para um estudo mais forte, recomendo a leitura de livros, que superam o conteúdo de qualquer blog. Dê uma entrada na guia de livros:
      http://alemdapoupanca.blogspot.com.br/search/label/Livros
      Abraços

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  6. Pois é ADP, ainda bem que estou me livrando dessas bombas chamadas ETFs.

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  7. Olá ADP,

    Gostei do post! Muito obrigado por ter lembrado do meu pedido! :-)
    Realmente o PIBB11 não foi nada bom neste período.

    Só gostaria de enfatizar ao leitores também que o PIBB11 não se saiu bem devido este índice
    ser composto por praticamente 25% (atualmente, não sei em cada ano, mas foi muito) por Vale e Petrobrás.
    Isto impactou muito o resultado do índice.

    Vejam nos gráficos que de 2008 em diante as duas empresas caíram muito as cotações:

    http://www.fundamentus.com.br/cotacoes.php?papel=PETR4

    http://www.fundamentus.com.br/cotacoes.php?papel=VALE5

    Talvez se as 2 não estivessem "sofrido" tanto, o resultado poderia ter sido melhor.

    A lição que tiro deste caso histórico, eu que estou tentando montar uma carteira "índice" com 20 ações, é não colocar tanta "responsabilidade" (peso, participação na composição) em poucas empresas. Até o momento pretendo ter 5% em cada uma das 20 empresas. Responsabilidade igual para todas.

    Outra questão é que foi possível analisar apenas 10 anos aproximadamente.

    O ibovespa, que também possui grande concentração em Vale e Petro, conseguiu a longo prazo (mais de 40 anos) uma média de 7,7% ao ano acima da inflação:
    http://investidordefensivo.blogspot.com.br/2011/11/ibovespa-rendeu-em-media-so-77-ao-ano.html


    Daqui mais 10 anos o ADP volta a fazer esta análise do PIBB11 novamente!
    Pode dar print screen em mais este pedido!

    hauahuha Brincadeira.

    Abs!

    Investidor Defensivo

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  8. Parabéns pelo post!

    Se o investidor tivesse mantido os papeis entre 2004 e 2008 teria um ótimo lucro, depois a coisa desandou.

    Isso porque sabemos que tivemos a crise, que o índice incorpora Petro que tomou uma paulada enorme do mercado por razões que já sabemos também.
    Além disso tem ai a queda das energéticas entre 2012/2013 por causa das medidas do governo, e por ai vai, sem falar das empresas X que entraram no índice e praticamente "viraram pó", tudo isso fez IBOV, PIBB, etc caírem muito.

    O negócio é estudar um pouco e aplicar em empresas individuais, demora mais para fazer um boa carteira, mas está sob seu controle o que montar lá.

    Um abraço.
    Ricardo.

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  9. Excelente post!!! Investir não é só colocar dinheiro em uma corretora e comprar ações, tem que ter um pouco de estudo, acompanhamento, e dedicação. Estive pensando em uma correlação entre as simulações e o seu ultimo post sobre dividendos, e é interessante ver que a empresa que se deu melhor nos investimentos de longo prazo foi logo a Eternit por causa de seus dividendos constantes.
    Ainda é pouca informação para tirar conclusão, mas empresas com bons dividendos no longo prazo tendem a rentabilizar de forma mais confiável, com valores bons. Concorda?
    Abraços

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  10. Com a bolsa atual andando de lado, ficou complicado pro nosso investidor ficar no PIBB11 mesmo!

    []s!

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  11. Essas simulações são interessantes, parabéns pelo trabalho.

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  12. Olá AdP,
    Atualize por favor a sua blogroll, fiz algumas alterações no nome do blog:
    http://www.oblogdoestagiario.blogspot.com
    :)
    Uta!

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  13. Parabéns pelo excelente estudo. Tenho pensado em uma estrategia. E se periodicamente o investidor trocasse as ações do PIBB11 pelo mesmo valor de exposição no mercado por mini contratos futuros do IBOV e usasse o dinheiro para comprar títulos públicos federais deixando-os como garantia na BMF para essa operação? Assim ele receberia juros, digamos de uma LFT no período analisado. O que acha dessa operação?

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  14. Opa Adp, blz?

    Vc poderia atualizar a simulação até agora? Outubro de 2016?

    Abraço!

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