quarta-feira, 21 de abril de 2021

A vida nada fácil do brasileiro no Canadá


Fala, burguesada, tudo bem?

Através esta postagem quero relatar um pouco sobre como é a vida dos brasileiros (e latinos) aqui no Canadá.

Meu ponto de partida vem de um comentário de um anônimo na minha última postagem, cujos trechos vou reproduzir abaixo:

Cara eu sinceramente não consigo entender esses Brasileiros que saiem do Brasil em uma boa situação para ser mais um pião latino nos states.

Primeiro que vocÊ sempre será considerado um latino. Não tem amigos. Não tem dinheiro, e trabalha de peão, qual a lógica?

Aaah mas eu moro em um país de primeiro mundo. OK! Mas o Brasil também pode ser um país de primeiro mundo se você tiver dinheiro.

...

Sei lá. A unica coisa que tenho certeza, que cedo ou mais tarde a realidade bate na porta. Rover, Corey, Conhecimentofinanceiro já voltaram com o rabo entre as pernas.

Antes de tudo, não critico o comentário do nosso nobre amigo. Aqui não há certo ou errado. Comentários deste tipo são muito bem vindos, desde que sejam educados. De vez em quando censuro aqui comentários maldosos, mas aqueles com ideias opostas são muito bem vindos aqui no blog.

Este pensamento do anônimo acima é, na verdade, bem comum. Quando anunciei para amigos que estava vindo para cá, muitos apoiaram a ideia, mas outros me deram aquele apoio que, no fundo, você percebe que ele estava pensando “esse cara é louco. Está largando um emprego estável para se aventurar ao desconhecido”. Em outra postagem posso dizer o por quê decidi sair do Brasil.

Quando cheguei aqui no Canadá, percebi que, no geral, o perfil do brasileiro é bem parecido com o meu. Pessoas com idade acima dos 30 anos (podendo chegar aos 60!), em sua maioria esmagadora um casal, muitos com filhos (uns 70%), que tinham uma carreira consolidada no Brasil. Aqui já vi diretor, empresários, servidores públicos TOP, pesquisador, professor universitário, representante comercial, dentista, médica, personal trainer de renome, dentre outros. E quando casados, o cônjuge normalmente também era algo que não ficava muito atrás. Meu perfil aqui é um dos piorzinhos, um servidor público de nível médio casado com dona de casa. O que ajudou a minha vinda aqui foi, sem sombra de dúvidas, minha disciplina em guardar dinheiro.

Aliás, este não é só o perfil do brasileiro, como é dos latinos em geral. Desconfio que o mesmo seja para os filipinos. Quem foge desta regra são os chineses e indianos, que no geral vem para cá bem jovens (dos 18 aos 22 anos). Reza a lenda que somente os chineses ricos vêm para cá, o que, na minha impressão é provável, pelo menos em sua maioria. Não vejo muitos chineses trabalhando em jobs braçais, e é comum vê-los alugando boas casas e dirigindo nice carros. Já para os indianos, alguns outros dizem que também são ricos, mas eu tenho forte impressão de que a realidade é bem distante disso. Talvez em outra postagem falo mais a respeito.

Voltando ao assunto da postagem, cada brasileiro tem seu motivo para vir pra cá. Mas no geral, é insatisfação com o Brasil.

A vida típica do brasileiro que vem pra cá compreende um casal no qual um membro vem para estudar e o outro pode trabalhar. E claro, muitas vezes o trabalho é braçal e pesado. Mas com o tempo muitos latinos se superam.

Posso citar alguns exemplos.

(1) Quando eu estava na indústria automobilística no summer passado, eu trabalhava junto com dois latinos. Um deles é um mexicano com uma vasta experiência na área de gerenciamento de projetos, além de diversas certificações. Ele procurou emprego aqui, fazia algumas entrevistas, mas era negado porque o inglês dele não era bom o suficiente. E eu até entendo, pois creio que a área dele é 90% reunião e 10% gerenciando pessoas e recursos, então o mínimo de que precisa é uma boa comunicação. Cansado de procurar por emprego, ele foi para a indústria. Entretanto, depois de 5 meses lá, ele foi finalmente aceito em uma empresa para trabalhar na área. Deve estar ganhando uma baba hoje pois é uma área que ganha bem aqui.

(2) O outro latino que trabalhei junto é brasileiro. Casado e com dois filhos, ele tinha que trabalhar. Ele é da área de logística, sendo um coordenador no Brasil. Depois de procurar, foi aceito como gerente em uma empresa perto de sua casa. Seu novo trabalho começa hoje.

(3) Um casal de venezuelanos, amigos muito próximos meus (que infelizmente estão com corona neste exato momento, mas estão bem). Conheci ela em uma entrevista de emprego em uma empresa de contagem de estoques (depois faço uma postagem sobre os trabalhos que tive aqui). Ele fez mestrado na área de engenharia. Depois de formado, ficou procurando por vagas na área e não teve nenhuma resposta. Mas depois de 6 meses, foi chamado para 3 empregos. Ele escolheu uma refinaria. Com ele aprendi que “Canadá é um jogo de paciência. Continue aplicando para as vagas que uma hora chega”. Ela vai começar um College de Project Management em 2 semanas.

(4) Uma grandissísssima amiga minha, uma das pessoas mais espertas e dinâmicas que conheci na vida, tinha como experiência entrega de aeronaves. Veio para cá com seu marido, fazer College. Após terminar, conseguiu uma vaga de emprego na mesma área. Ela faz a mesma coisa que fazia no Brasil.

(5) Um casal de brasileiros com filho se mudou para meu prédio há três meses, vindo do Brasil. Pessoal gente fina que fiz questão de apoiar. Ela com experiência administrativa em banco, resolveu esperar um pouco para ver se achava um emprego em escritório, pois desenvolve tendinite quando em trabalho braçal. Ela conseguiu um emprego de auxiliar administrativo e começa na semana que vem. Me disse que só não conseguiu uma vaga melhor pois o inglês dela não é bom o suficiente, mas, ao mesmo tempo, a empresa disse que já vai treinar ela para a tal vaga melhor.

E são diversos e diversos casos por aqui. Aqui você encontra dentistas brasileiros, médico de família brasileiro, gerente de banco brasileiro, vendedor de carro (que vende muito) brasileiro, programadores, engenheiro (por exemplo, naquela indústria automobilística, tem um engenheiro brasileiro lá), e por aí vai.

No final das contas, empresário quer dinheiro, e para isso não tem essa de querer saber qual posição da crosta terrestre você nasceu. Se você é competente, tem garra e energia, você encontra seu caminho. E mesmo se você continuar em trabalhos braçais ou não técnicos, qual seria o problema nisso? É demérito? Qual é a realidade brasileira?

Claro que não podemos generalizar. É óbvio que há recrutadores cuja seleção prefere algum tipo de nacionalidade. É claro que há empresas que podem promover canadenses ao invés de estrangeiros. Mas aí é questão interna. Se a empresa acha que encontra valor ao promover a pessoa porque ela é canadense, isso faz parte da estratégia da empresa e não há o que podemos fazer. Mas muitas outras empresas não enxergam desta forma.

Mas se você lutar, uma hora seu momento chega. Lembro de que quando eu estava na empresa de contagem de estoques, um dos meus colegas era um indiano. Depois de alguns meses lá, esse meu par virou gerente, passando na frente de vários canadenses. Ele foi promovido pelo bom trabalho e pelo interesse em aprender mais. E isso não é eu que estou falando. Quando ele foi promovido, a empresa mandou um email para todos falando essas razões.

O anon comentou também sobre latinos não terem amigos. Isso está incorreto. Nos relacionamos normalmente com os canadenses e outras nacionalidades. Já aconteceu comigo coisas que nem posso contar, kkkkk. Mas definitivamente, o brasileiro consegue se relacionar com canadenses. Aliás, se você está lendo essa postagem e é solteiro(a), você vindo para cá terá boas chances de encontrar um(a) canadense.

Em resumo, a vida do brasileiro (ou latino) aqui é essa. Há os que correm atrás e os que correm mais devagar. Há os com inglês melhor e com inglês pior. Há os que se relacionam melhor e os que se relacionam pior. E por consequência, há os que possuem mais sucesso que os outros. A realidade é diferente do tal mito do eterno limpador de privada, mas isso não quer dizer que sejá fácil. É preciso se dedicar. Pelo menos aqui no Canadá é assim.

E você, o que acha? Deixe nos comentários.

44 comentários:

  1. Já conseguiu vacinar contra o corona aí?

    Aqui estamos na luta ainda. Algumas cidades agora que chegaram nos 60~61 anos.

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    1. Olá anon,
      Semana que vem vão aceitar pessoas com mais de 40 anos. Aqui demorou porque tem muito velho, kkkk.
      Abraços

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    2. "demorou"... Já tá nos 40... aqui ainda tá no 62!!!

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    3. Canadá tem 40 milhões de pessoas
      No Brasi já vacinamos quase 30 milhões (seria 75% do Canadá)

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    4. Claro. E temos mais gente para trabalhar na vacinação também sem comprometer as demais áreas. Tudo que importa é o "per capita". Nossa vacinação está uma bela bosta. Quinquagésimo algo. Deveríamos ser os primeiros pois atualmente somos o que mais morre gente. O que mais precisaria. Não adianta, cara. Brasil tá a merda de sempre

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    5. Só espero que essa fase de corona passe rápido. A vida sem isso já não era fácil.
      Abraços

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  2. Beleza ADP?

    eu posso falar dos EUA.
    Eu estou nos states já fazem mais de uma década. Agorinha estou no Bostil. Estou visitando meus pais. Questão de saúde.

    Sempre trabalhei em serviço considerado braçal. Tanto como auxiliar de auxiliar, como apenas auxiliar (top). kkkkk.

    No entanto, com o tempo as coisas melhoraram.
    Atualmente trabalho para uma empresa que presta serviços para a Nasa. Mas, gosto de falar que trabalho para a Nasa. kkkkkk
    É serviço braçal. Carregar, descarregar, repor material, até mesmo acompanhar pessoas no local, enfim, são várias atividades "não técnicas".

    Já minha esposa é enfermeira formada nos states. Ela trabalha em hospital e ganha MUITO bem. Em razão do trabalho dela, temos um "plano de saúde" top a preço módico.

    Considero sem sombra de dúvidas, que a vida que tenho nos states um brasileiro só consegue no Bostil se ganhar 30 mil por mês (renda familiar). Ou seja, tenho uma qualidade de vida superior a 99% dos brasileiros em terras americanas.

    Tenho vontade ZERO de voltar para o Bostil. Minha esposa fica especulando a possibilidade. Mas sou taxativo que isso não ocorrerá. Meus filhos são brasileiros e americanos. Falam português, mas não conseguem escrever (kkkkkkk comédia demais). Também não querem morar no Bostil (por que será?).

    Enfim, meu ponto de vista é o seguinte: EUA é infinitamente melhor para viver do que o Bostil. Mas se você fizer questão de "status", aí é melhor ficar no Bostil mesmo. Porque aqui eu sou apenas mais um na multidão. Mas, como disse, mais um que está acima de 99% dos brasileiros.

    Abraço!

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    1. Olá adpenac,
      Eu considero que a qualidade de vida aqui é melhor do que no Brasil. E sim, uma pessoa com renda inferior aqui consegue uma qualidade de vida melhor do que uma outra com renda muito maior no Brasil.
      Mas também tem aquilo que você disse. Enquanto ter um carrão no Brasil é digno de chamar atenção nas ruas, aqui é só mais um na multidão. Até Camaros aqui e outros carros são só mais um. Uma pessoa que ganha bem no Brasil tem mais status.
      Abraços

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  3. "Sei lá. A unica coisa que tenho certeza, que cedo ou mais tarde a realidade bate na porta. Rover, Corey, Conhecimentofinanceiro já voltaram com o rabo entre as pernas.”

    MENTIRA! Não sei quem postou esse comentário mas é MENTIRA! Dos 3 supracitados o único que voltou foi o Corey e mesmo assim muito mais por questões psicológicas e familiares (o lance dos pais que ele explicou bem no BLOG) do que com insatisfação com o país. Aliás, o Corey sempre teceu elogios a Portugal.

    Quanto ao Mr Rover, do extinto blog Projeto Free Lifestyle, ele postou no Legado Realista no final de 2019 seu relato de 1 ano de América. Ele está muito bem lá nos EUA! Um dos maiores objetivos do Rover sempre foi sair do Brasil.

    Já o CF já me relatou no blog dele que não tem nenhuma vontade de voltar a morar no Brasil, apesar de alguns perrengues que já passou em Portugal.

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    1. Olá Chimpa,
      Eu não sei o que aconteceu com eles, mas essa questão de voltar para o Brasil acontece. O que não podemos é pegar a situação de 3 pessoas e usar isso como um exemplo para o que acontece com todo mundo.
      Abraços

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  4. Ola ADP, tudo bem?

    Tb moro no Canada, mais especificamente em Vancouver, e gostaria de deixar minha opinião a respeito dos trechos que vc mencionou.

    No meu modo de ver, as pessoas saem do Brasil em busca do básico: segurança, qualidade de vida e um lugar que vc consiga viver bastante bem (mesmo ganhando pouco).

    Isso o Brasil não consegue oferecer, infelizmente, e foi a razão da minha saída. Já países de primeiro mundo, principalmente o Canada, garante esses quesitos já ao descer do avião. Por exemplo, desde que pisei aqui, nunca mais tive que me preocupar com minha própria segurança.

    Se ganhar muito bem no Brasil vc consegue tudo isso? Talvez consiga chegar perto se viver numa bolha (condomínio fechado, escola privada p/ filhos, e não se expor na rua, pagar uma babilonia por plano de saude, no Canada eh gratuito). Mas para mim isso continua sendo o básico e eu não precisaria ter que ser rico no Brasil para ter acesso a isso. Logo, ninguem vem pra um pais que nem o Canada pra ser rico, e sim pra ter o basico e ter qualidade de vida.

    Segue o teu plano no Canada, conheço muitas pessoas onde o início foi mais complicado, mas TODOS, sem exceção, conseguiram entrar ou se recolocar no mercado e hoje já estão numa situação bem mais tranquila.

    Abração

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    1. Olá anon,
      Estou em London e minha preocupação com segurança é próxima a zero. Faço Uber de madrugada às vezes e faço isso com extrema calma. Nunca tive nenhuma surpresa infeliz, pelo menos até agora.
      Considero que minha vida de uber com esposa pião de fábrica tá muito melhor que minha vida de funça público no Brasil.

      Segue o teu plano no Canada, conheço muitas pessoas onde o início foi mais complicado, mas TODOS, sem exceção, conseguiram entrar ou se recolocar no mercado e hoje já estão numa situação bem mais tranquila."
      Assim espero.
      Abraços

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  5. Moro aqui nos EUA e concordo em 100% com o cara que comentou que vc citouno inicio. Vim para cá apesar de ser diretor, sou sim um peão, todo funcionário é se nao for o dono. Vc sempre é visto como latino, inferior, não tem amigos, nao tem família, não tem nada além de um pouco mais de dinheiro. É uma bosta gente! To contando os dias para bater minha meta e rumar de volta ao meu querido sul do Brasil !!

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  6. Rpz, admiro sua coragem em sair daqui com emprego estável e ir arriscar a vida em outro país.
    Claro que esse outro país ser o Canadá facilita as coisas.
    Não conheço o Canadá, mas já fui algumas vezes para EUA, Europa e estive na Nova Zelândia, é outro mundo se comparado com o Brasil.
    Quando toda essa agonia passar, talvez programe uma viagem para conhecer o Canadá, deve ser meu 2° destino, já que minha mulher já me convenceu a irmos ao Japão.
    Dos países que conheci, o que mais gostei, que eu moraria se tivesse grana, seria a Alemanha. Mas há a barreira financeira e linguística.
    Quem fala que quem tem dinheiro no Brasil vive igual quem mora nos países ricos não tem ideia de como a realidade é completamente diferente. Não sabe o que é andar pelas ruas as duas da madrugada e sentir se tranquilo.
    Eu e minha mulher não temos filhos, nem pretendemos ter, e somos servidores públicos, o que dificulta qualquer ação nesse sentido de largar tudo e ir embora. Mas criar filhos no Brasil, mesmo sendo classe média alta, é bastante complicado. Ainda mais pra gente que moramos em cidade grande da região nordeste.
    Parabenizo vc pela coragem e desejo sucesso aí. Como diz música de capital inicial: se for ligar para o que é que vão falar não faço nada.

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    1. Olá anon,
      Também concordo que quem diz que quem ganha bem no Brasil vive igual a quem mora nos países ricos não sabe do que está falando. Isso não quer dizer que aqui é melhor e que quem está no Brasil está errado. É questão de escolhas. Tem gente que prefere estar no Brasil independente da renda e cada um faz o que quer para ser feliz. O que não entendo é que algumas pessoas falam coisas que não fazem ideia.
      Abraços

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  7. Fala Adp

    Sou ex-patriado na França há 5 anos e 0 arrependimento. Deixei uma carreira estável de engenheiro no BR pra estudar 2 anos aqui e arrumei um emprego de engenheiro numa multinacional. Na minha opinião depende muito da mentalidade da pessoa. Vi gente que desistiu no primeiro mês e gente que desistiu depois de juntar a grana que queria. Pra mim tudo resume em quanto vc tá disposto a abandonar Brasil e aceitar a nova realidade no novo pais. Claro que alguma saudade sempre vai ficar, mas vc tem que encarar como algo do passado e trabalhar pra que a nova vida dê certo. Eu sempre tive umonte de amigos de várias nacionalidades aqui e pouquíssimos amigos brasileiros justamente pq não queria sempre que saia ficar mergulhando em saudosismo e como no Brasil "tal coisa era melhor". Minha esposa tem uma doença crônica que aqui na França ela tem todo auxílio que precisa por um custo mínimo. No Brasil já teria nós falido. Não tenho filhos mas aqui o acesso a escolas boas e grátis é muito fácil. E já me passou de voltar pra casa depois de festa a pe, de madrugada, mais de 5 km andando e 0 preocupado. Essas coisas não tem preço. Tranquilidade não tem preço. Ganhar 20k no Brasil tendo que olhar por cima do ombro sempre que sai de casa não é vida tampouco.

    Parabéns pela jornada

    Um abraço
    Punk de Gravata

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    1. No Brasil já teria nós falido?? E o SUS? Nem vem falar mal do sus. Nos EUA é que estaria falido pq nao há absolutamente nada pulbico.

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    2. E o SUS? Que piada ... Ta claro que vc nunca precisou do SUS pra fazer exames sérios. Não sei como é nos EUA, não vivo la, o que posso falar é sobre a Europa.

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    3. O ultimo anon? Nao sou nenhum dos anons acima mas Minha mãe operou o cérebro no sus, tirou um tumor e vive normal hoje. Como posso criticar o SUS? Ele pode nao funcionar nas capitais de SP e no Rio, pq alias nestas merdas de lugar cheio de zumbis nada funciona!

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    4. Questão de saúde é controversa independente do país.

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  8. Ola ADP.

    Já moramos na Polonia e na Irlanda entao posso opinar com propriedade. Voltamos para o Brasil recentemente por questoes familiares e tambem psicologicas.

    A vida é feita de pros e contras. Lamento quando vejo pessoas sendo pejorativas com o Brasil pois apesar de inumeros problemas temos muitas qualidades, temos pessoas muito boas por aqui tambem. Uma coisa que Poloneses, Irlandeses e Canadenses invejam e muito do Brasil é o clima (diria principalmente do sul e sudeste).

    Quando fizemos um exercício para tentar entender o que realmente era importante para nos definimos tres principais (nesta ordem):
    1. Clima
    2. Lingua
    3. Infraestrutura (incluindo saude, educacao e seguranca)

    Isso pode variar de pessoa para pessoa, familia para familia, entao eh simplesmente uma decisao pessoal.

    O Brasil pra nós, ganha nos dois primeiros requisitos e não oferece o terceiro. Irlanda ganhava no segundo e terceiro. E Polônia apenas no terceiro e parcialmente no primeiro.. rsrs

    Talvez iremos migrar novamente quando isso tudo passar, mais por que isso motiva e nos traz crescimento de certa forma.

    Boa sorte na sua empreitada e busque sempre o melhor pra você e sua família. Mesmo que isso resulte em outras mudanças.

    Abraços

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    1. Olá anon,
      "Isso pode variar de pessoa para pessoa, familia para familia, entao eh simplesmente uma decisao pessoal."
      Você disse tudo aqui e I couldn't agree more.
      Abraços

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  9. Ola Adp - tudo bem ? Que interessante a sua postagem - tenho um casal de primos morando no Canada. Ele, publicitario, e ela, arquiteta ... deixaram tudo no Brasil quando a filha nasceu e decidiram buscar uma vida melhor no Canada (Toronto). Ele se formou em gastronomia e esta trabalhando em um restaurante e ela trabalha como gerente de uma loja de enfeites e artigos de Natal.

    O que vejo tambem da minha experiencia morando fora do Brasil e que cada um tem diferentes "dores" quanto a morar fora. Tem gente que sente saudade da familia, outros dos amigos, outros da comida e assim por diante.

    O importante (na minha opiniao) e sempre tentar fazer uma analise menos emocional. Tenho um caso de pessoas proximas que receberam convite e se mudaram para Alemanha transferidos pela empresa. Aproveitaram bastante para viajar pela Europa e todos os beneficios de morar em pais de primeiro mundo ... no terceiro ano de expatriacao, a empresa chegou para o meu amigo e ofereceu uma posicao permanente na empresa - iriam contratar ele localmente e encerrar o contrato de expatriacao. Ele ficou super empolgado e a esposa, por algum motivo, bateu um sentimento de saudades da familia (que ela mal convivia e sempre brigava quando estava no Brasil). Resumindo a conversa, tanto fez que voltaram ao Brasil - o chefe dele avisou que no Brasil a empresa nao estava tao bem e nao poderia garantir a posicao dele. Dito e feito, depois de 6 meses no Brasil, ele foi demitido. Passaram dificuldades pois demorou bastante para ele conseguir se recolocar (cerca de 3 anos e meio) e quando apareceu oportunidade, foi em outro estado bastante distante de onde moravam.

    Hoje, moram distante e nao vem a familia do mesmo jeito, porem ainda ganham menos do que na Alemanha, padrao de vida inferior e com mais preocupacoes. Sempre que conversamos a esposa dele fala que se arrepende muito de ter voltado da Alemanha.

    Por isso, nessas situacoes mais criticas onde a emocao conta bastante, e sempre recomendavel nao tomar decisoes no calor do momento. Fico feliz de ver que voce tem uma capacidade de analise bastante racional e nao emocional.

    Um grande abraco e boa sorte,

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    1. Olá EP,
      Há várias histórias boas e ruins em relação à vida de imigrante.
      Não faço ideia de quem são esses seus conhecidos, mas eu chutaria que a tal saudade que a esposa sentia da família era reação à falta de adaptação à língua alemã, que acredito ser bem difícil. Aprender uma língua estrangeira até chegar à fluência é algo difícil e bastante frustante. Como comunicação é algo básico, em contrapartida, enquanto não se chega lá (na fluência), muitas pessoas desenvolvem um sentimento maior de saudade da família e do lugar onde nasceu, pois sair da zona de conforto é muito difícil.
      Se fosse eu, sem dúvidas ficaria por lá.
      Abraço e sucesso.

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  10. Fala Adp,
    te acompanho a muitos anos, embora não sou muito de comentar.
    Também deixei o Brasil em 2019 e vim para Portugal, tenho duas filhas ( uma delas nascida aqui já ).

    Vim já com visto e emprego numa empresa de Lisboa, sou de TI.

    Após algumas semanas eu descobri que essa empresa explorava brasileiros, pagava baixos salários em relação ao mercado, mas era um início, pra ter a minha residência e documentos todos certinhos.

    E mesmo com baixo salário se vive muito bem aqui.

    Com 1 ano já tinha meu Linkedin lotado de propostas, até que encontrei uma ótima empresa e hoje estou muito bem, esposa também trabalha e somos muito felizes aqui.

    Minha filha mais velha na escola pública, nunca tive que pagar nada, a mais nova nasceu no hospital público, também nenhum custo. Segurança então nem se fala, nada acontece.

    A Língua é parecida ( embora seja bem diferente ), o clima é bom, ótimas praias e não sentimos falta de nada do Brasil, apenas a família que deixamos pra trás.

    Mas é isso aí,
    Sucesso, um abraço

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    1. Olá Marcelo,
      Isso foi uma coisa infeliz, mas que acontece. O lado bom é que, apesar da situação, você viu isso como uma oportunidade para usar como um trampolim. Se fosse outro iria ficar reclamando.
      Fico feliz em saber que vocês estão muito bem.
      Abraços e sucesso

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  11. AdP, admiro muito pessoas com sua coragem. Tenho ensaiado de sair do Brasil. Não tenho amores pelo Brasil, mas tenho pela minha família e amigos.

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    1. Amigos sempre fazemos outros, novos amigos, bons amigos,
      os antigos vem te visitar, mantem contato online
      ( aqueles que realmente eram teus amigos )
      Já a família é difícil, mas sempre se dá um jeito.. só basta querer mesmo mudar de vida..

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    2. Nobre Guardião,
      Independente do país alvo e do plano de imigração, duas coisas são necessárias para facilitar: dinheiro e proficiência na língua. O primeiro você tem. Já que você está ensaiando, procure o país alvo, pesquise, planeje e comece o quanto antes a estudar a língua, se já não o fez.

      "Não tenho amores pelo Brasil, mas tenho pela minha família e amigos."
      Esse é o preço a se pagar. Mas se a família e os amigos te amam, eles te apoiarão.

      Abraços

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  12. com o sumiço do engenheiro investidor, com quem está o ranking da blogosfera das finanças?

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  13. Fala ADP, vejo muita gente ferrada e fudida aqui no Brasil indo pra gringa e achando as mil maravilhas ( principalmente financeiramente), mas e pra quem não é fudido aqui? E pra quem é classe media/media alta aqui? Tem um bom emprego/cargo, concursado será que compensa mesmo? Não sei, mas acho que talvez seus posts ajudem a ver esse outro lado da moeda onde o custo beneficio com toda certeza é bem menor.

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    1. Olá Marco,
      Depende muito do que a pessoa, seu estilo de vida e o que ela procura.
      Na minha opinião eu acho que NO MEU CASO compensa. Aqui a maioria é de classe média alta que largou tudo para vir, e a maioria planeja ficar. Mas isso não é pra todo mundo. Se a pessoa está bem estabilizada no Brasil, tem sua carreira profissional definida e está muito feliz com sua situação, por que ela iria se arriscar indo para outro país? Depende muito do que a pessoa está procurando.
      Agora, quem acha que aqui é um mar de rosas, que tudo é fácil e que tudo funciona, vai quebrar a cara.
      Abraços

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  14. Falaí, ADP!

    Rapaz, eu tenho uma história que tem muito a ver com esse post (já contada no meu blog).

    Vivi no Japão desde criança até a fase adulta, e trabalhei por muitos anos lá. Por diversas questões eu parei de estudar cedo lá e comecei a trabalhar, em fábricas, "peãozão" mesmo. Ganhava o que eu sei que, aqui no Brasil, nem como gerente eu irei ganhar (ainda mais com esse dólar atual), tinha absolutamente tudo que eu quisesse (comprei meu carro assim que fiz 18 anos, tinha moto TOP, comia onde eu quisesse, e por aí vai), porém chegou um momento que essa vida não me fez mais feliz. O trabalho lá era extenuante, 12 horas por dia, em turnos alternados, de segunda a sábado. As perspectivas de ascenção profissional para um "dekassegi" como eu era são praticamente nulas no Japão. Eu podia ficar 30 anos trabalhando lá que dificilmente iria ter alguma evolucão profissional. Qualidade de vida eu nem preciso comentar, né? Estou falando do Japão, um dos países com a maior qualidade de vida que existe nesse planeta. Mas essa vida de "peão", pra mim, ofuscava todos os outros pontos positivos.

    O que fiz foi retornar para o Brasil, semi-analfabeto, voltei a estudar, passei em uma boa faculdade pública, me formei e hoje trabalho aqui na minha área. Não tenho carro, não tenho moto, tenho a qualidade de vida "a la Terra Brasilis" que todos nós conhecemos, mas eu acho que foi a melhor decisão que tomei. Sinto que tenho boas perspectivas profissionais aqui, acordar pra ir trabalhar não é mais um "martírio" como era quando morava no Japão. Os dias e as horas aqui passam voando. No Japão lembro NITIDAMENTE da sensação de contar cada minuto pro tempo passar e eu poder voltar pra casa do trabalho. Visito o Japão com certa frequência desde que voltei para o Brasil, e quando vejo meus amigos lá sinto que eles pararam no tempo. Estão exatamente da mesma "forma" como quandosai de lá. Eu, particularmente (e longe de querer me achar superior a qualquer pessoa) sinto que evolui de uma forma que, se tivesse ficado lá, não teria ocorrido.

    Enfim, esse relato é pra mostrar o quão diferentes as percepções humanas podem ser. Estou no exato oposto do seu expectro, e é muito interessante podermos ver as coisas através de diferentes óticas.

    Abraço!
    https://engenheirotardio.blogspot.com/

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    1. Olá Engenheiro,
      Tem um youtuber chamado Velberan que teve uma experiência semelhante à você. Não vi muitos de seus vídeos, mas o pouco que vi bateu exatamente com seu relato. Pelo que pude entender, o Japão precisa de estrangeiros devido a sua população idosa, mas não dá a eles oportunidades.
      Que bom que você se sente mais realizado no Brasil e está feliz.
      Abraços e sucesso

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    2. É interessante isso né. Eu recentemente comecei a trabalhar pra fora recebendo em moeda forte daqui do BR. Participo de umas comunidades pra ajudar quem tá procurando trabalho pra fora e o que mais me perguntam é "quando vai se mudar?". Por enquanto, nunca. Esse negócio de ir morar fora tá virando uma obsessão, e tem muita gente que vai bater com a cara no muro com essas ideias. Tem 300 outras coisas, fora qualidade de vida e dinheiro, que contam muito. Família, amigos, costumes, alimentação, clima. As vezes trabalhar com um salário mais ou menos em um trabalho que vc se sente produtivo é melhor do que tirar uma grana preta num trampo que é sempre a mesma coisa todo dia...

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    3. O bom do Brasil é que o custo de vida é baixo para quem ganha em moeda forte. Aliás, acho que o Brasil deveria ter um processo de visto de permanência temporária para quem comprovar que ganha x dólares mensais. Há muito gringo ganhando um bom dinheiro remotamente e que adoraria gastar seus dólares em um país como o Brasil.
      Abraços

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    4. Desculpa, mas é muita frescura preocupação com clima, alimentação, amigos e costumes. Sinceramente, diante da qualidade de vida q se tem nos EUA, Canadá ou Europa, pensar nesses detalhes é pura frescura. Se eu tivesse oportunidade, iria sem olhar pra trás!

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  15. Bom dia! O código 11 está com problemas. Poderia dar uma olhada? Bom trabalho.

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    1. Olá anon,
      Resolvido. O servidor estava com problemas.
      Abraços

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  16. Relato muito bom, AdP. Me formei há pouco em engenharia e como muitos outros brasileiros bati de frente com a realidade do nosso mercado. Por um acaso muito grande acabei entrando no mercado de TI (mesmo não tendo formação relacionada) e embora trabalhe para uma empresa brasileira já estou atuando em um projeto com equipe internacional. Estou pensando seriamente em me aprimorar na área e começar a tentar vagas aí pelo Canadá. Esse tipo de relato é muito útil para nos dar uma visão melhor sobre a realidade e as possibilidades no novo país. Vou ficar no aguardo de mais. Muito sucesso e saúde para você e sua família.

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    1. Olá anon,
      TI aqui é bom para quem tem experiência. Já para pessoas como eu, é preciso furar a bolha e tentar ser contratado. Mas dizem que uma vez experiente, a vida é melhor.
      Abraços

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  17. Olá! Eu não conhecia seu blog, um amigo me enviou essa postagem. Estamos no mesmo barco: estou indo com marido e filho pro Canadá agora em agosto/21, ele vai fazer college e eu com visto de trabalho. Tenho os mesmos sentimentos que você e estamos indo na mesma vibe! Você está em qual cidade?

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    1. Olá Flavia,
      Estou em London. Sejam bem vindos ao Canadá.
      Eu me lembro quando eu estava para vir. A cabeça fica a mil por hora por causa do desconhecido. Mas as coisas se ajustam.
      Como você virá com visto de trabalho, você será a provedora da casa. Estude inglês o máximo possível, pois o seu nível de trabalho aqui é proporcional ao seu inglês.
      Abraços

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